IPCA
-0.04 Set.2019
Topo

Gigante de turismo britânica em crise frustra lua de mel

K. Oanh Ha e Ania Nussbaum

23/09/2019 08h59

(Bloomberg) -- O colapso da icônica agência de turismo britânica Thomas Cook virou os planos de viagens de dezenas de milhares de clientes de cabeça para baixo.

Minutos depois que a operadora de turismo entrou com pedido de recuperação judicial no início da segunda-feira, turistas usaram o Twitter e as plataformas de redes sociais para extravasar sua raiva e procurar ajuda para reorganizar férias e voos.

Layton Roche, de Bolton, Reino Unido, tuitou que ele e sua futura esposa já haviam feito as malas para embarcar em um avião rumo à ilha grega de Cós para comemorar seu casamento. Ele implorou à Thomas Cook para que mantivesse os serviços pelas "próximas 24 horas".

Quatro horas depois, veio a má notícia.

O pedido de recuperação judicial da agência de viagens, fundada há 178 anos em Londres, cancelou efetivamente todos os pacotes de férias e voos reservados pelas unidades da empresa a partir de segunda-feira, deixando o Reino Unido com a tarefa da maior repatriação em tempos de paz de 150 mil turistas. O fluxo será escalonado nas próximas duas semanas, dependendo de quando os voos de retorno forem agendados.

Como a empresa busca proteção para resolver seus crescentes problemas de dívida, uma multidão de turistas recorre à Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido (CAA, na sigla em inglês) para voltar para casa. Os que já pagaram, mas ainda não viajaram, tiveram menos sorte.

James Peck, 28 anos, se preparava para viajar na sexta-feira de Manchester para as Ilhas Canárias para sua lua de mel. "Tivemos a sorte de reagendar a reserva no cartão de crédito", tuitou, acrescentando que só usava a Thomas Cook como agência de viagens. "Obrigado pelas lembranças, e boa sorte."

O governo do Reino Unido e a CAA iniciaram a "Operação Matterhorn" para trazer de volta os turistas que deviam voar para o Reino Unido com a Thomas Cook entre 23 de setembro e 6 de outubro, de acordo com o site da agência. Dependendo da localização dos turistas, os novos voos serão operados pela CAA ou por outras companhias aéreas, informou o site.

"O repatriamento é extremamente complexo e estamos trabalhando o tempo todo para apoiar os passageiros", disse a CAA.

Depois de 6 de outubro, os turistas precisarão reagendar os voos por conta própria, de acordo com a CAA. Os voos de repatriação são apenas para passageiros cujas viagens começaram no Reino Unido. A agência recomendou turistas com reservas - que ainda não embarcaram - a não iniciarem a viagem

--Com a colaboração de Kristine Servando.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: K. Oanh Ha em Hong Kong, oha3@bloomberg.net;Ania Nussbaum em Paris, anussbaum5@bloomberg.net

Mais Economia