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Banco da UE adia voto sobre financiamento de combustível fóssil

Ewa Krukowska

15/10/2019 09h50

(Bloomberg) -- O Banco Europeu de Investimento deixou em aberto uma estratégia para limitar o financiamento de combustíveis fósseis, um plano que reforçaria a ambição da Europa de combater as mudanças climáticas.

O conselho do braço de empréstimos da União Europeia, com sede em Luxemburgo, decidiu adiar até 14 de novembro a discussão sobre uma nova estratégia que inclui maior apoio para projetos de energia limpa, segundo o grupo de lobby CEE Bankwatch Network. O BEI não quis comentar imediatamente.

Uma medida do BEI para aumentar o apoio às energias renováveis reforçaria o Acordo Verde, impulsionado por Ursula von der Leyen, a nova presidente da Comissão Europeia. Seu objetivo é que a instituição se torne um banco climático e ajude a liberar 1 trilhão de euros (US$ 1,1 trilhão) para conduzir a economia a formas mais limpas de energia.

"A partir de 1º de janeiro de 2021, o BEI deve parar de financiar projetos de combustíveis fósseis com dinheiro público", disse Anna Roggenbuck, diretora de políticas da CEE Bankwatch Network. "Caso contrário, a ideia de transformar o BEI em um banco climático inevitavelmente vai desmoronar."

O esboço da estratégia do BEI foi criticado por grupos de lobby verde depois de ter sido abrandado no mês passado para permitir o financiamento de certos projetos de gás natural, uma medida solicitada pela Alemanha e por alguns países da Europa Central, preocupados com a dependência de importações da Rússia. Os países queriam dar um passo atrás na terça-feira, e as novas regras podem não conseguir aprovação sem o apoio deles, de acordo com a CEE Bankwatch Network.

O BEI, que no ano passado investiu mais de 16 bilhões de euros em projetos de ação climática, se prepara para desempenhar um maior papel na promoção de tecnologias de baixo carbono, porque a UE no momento avalia se deve declarar-se como o primeiro continente neutro em clima até meados deste século.

O bloco de 28 países quer intensificar sua ambição em sincronia com o marco do acordo das Nações Unidas de 2015 para combater o aquecimento global, depois que os EUA deram as costas ao pacto.

Von der Leyen, que deve assumir o novo cargo em 1º de novembro, também quer que a UE amplie a meta atual de reduzir as emissões em pelo menos 40% até 2030 em relação aos níveis de 1990. Isso pode envolver uma redução de 50% ou até 55% para combater as ondas de calor, tempestades e inundações mais frequentes associadas ao aquecimento global. Os combustíveis fósseis, como o carvão, petróleo e gás natural, são os que mais contribuem para as mudanças climáticas.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net