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Passageiros se preparam para voo de 20 horas entre NY e Sydney

Angus Whitley

15/10/2019 11h09

(Bloomberg) -- Há décadas, passageiros enfrentam estoicamente o jet lag como uma consequência inevitável de viagens longas. Agora, com companhias aéreas que oferecem voos sem escala para cruzar metade do planeta, os esforços para combater os sintomas debilitantes alimentam um setor de bilhões de dólares.

Uma nova visão do preço físico e emocional das viagens de longo curso deve surgir neste fim de semana, quando a Qantas Airways planeja testar seu voo sem escalas de Nova York a Sydney. Nenhuma companhia aérea operou essa rota sem escalas antes. Com quase 20 horas, será o voo mais longo do mundo, saindo dos EUA na sexta-feira e aterrissando na Austrália durante a manhã de domingo.

Será mais do que um exercício de resistência. Cientistas e pesquisadores médicos na cabine transformarão o Dreamliner novo em folha da Boeing em um laboratório de alta altitude. Os especialistas examinarão o cérebro dos pilotos para medir o nível de atenção e monitorar a comida, sono e atividade das poucas dezenas de passageiros. O objetivo é ver como os humanos aguentam a prova.

A proliferação dos voos superlongos - a Singapore Airlines retomou os voos sem escalas para Nova York no ano passado - é parcialmente impulsionada pelo desenvolvimento de aeronaves mais leves e mais aerodinâmicas que podem voar mais longe.

O ônus físico para os passageiros volta a chamar a atenção para o jet lag, criando um supermercado de produtos e soluções caseiras para aliviar o sofrimento. Nesse carrinho de compras estão comprimidos de melatonina, o remédio para ansiedade Xanax da Pfizer e óculos emissores de luz Propeaq que tentam colocar o corpo de volta nos trilhos. E, sim, há um aplicativo para o jet lag e muitos outros remédios.

A base de clientes em potencial é impressionante. A Associação Internacional de Transporte Aéreo espera que cerca de 4,6 bilhões de pessoas voem em 2019, um total que saltará para 8,2 bilhões em 2037.

A demanda por terapias jet lag cresce cerca de 6% a cada ano, e o setor deve movimentar US$ 732 milhões em 2023, segundo a BIS Healthcare. O mercado que inclui os distúrbios do sono - dominado por comprimidos - movimenta US$ 1,5 bilhão e deve gerar vendas de US$ 1,7 bilhão até 2023, segundo a GlobalData, segundo a qual mais de 80 medicamentos contra a insônia estão em desenvolvimento clínico.

O voo de sexta-feira de Nova York e outro de Londres ainda este ano são testes importantes para a Qantas, que se prepara para iniciar voos comerciais diretos dessas cidades para Sydney a partir de 2022, que são parte do chamado Project Sunrise da companhia. Se forem bem-sucedidos, a Qantas diz que outras rotas superlongas e sem escalas da costa leste da Austrália para a América do Sul e África podem ser o próximo passo.

--Com a colaboração de Adrian Leung.