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Dados indicam que será difícil Opep+ evitar cortes na produção

Julian Lee

16/10/2019 15h31

(Bloomberg) -- A Opep e aliados, coalizão conhecida como Opep+, vão precisar fazer cortes mais profundos na produção quando o grupo se reunir em dezembro. Essa é a conclusão inevitável depois da análise da mais recente rodada de relatórios mensais publicados pelas três grandes agências de previsão do setor de petróleo.

A Agência Internacional de Energia, a Administração de Informação sobre Energia dos EUA e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo projetam aumento dos estoques globais de petróleo no primeiro semestre do próximo ano, pois quase unanimemente cortaram suas previsões de crescimento da demanda por petróleo para 2019 e 2020.

A produção de petróleo da Arábia Saudita deve voltar este mês para o nível antes dos ataques às unidades de processamento de petróleo de Abqaiq e Khurais em 14 de setembro. Se esse ritmo de bombeamento for mantido, os estoques globais de petróleo aumentarão entre 750 mil barris e 1,4 milhão de barris por dia durante o primeiro semestre de 2020 - dependendo de qual previsão for considerada. Esse volume acrescentaria pelo menos 136 milhões de barris aos estoques mundiais de petróleo, segundo a Opep, e talvez até 255 milhões, segundo a AIE.

As três agências fizeram mais cortes em suas previsões de crescimento da demanda por petróleo este ano em seus relatórios mais recentes e, pela primeira vez, todas agora esperam um aumento do uso global de petróleo em 2019 de menos de 1 milhão de barris por dia em 2019 em comparação a 2018.

E essas previsões podem cair ainda mais. As três agências cortaram suas estimativas para os três primeiros trimestres do ano, fazendo reduções particularmente significativas em suas avaliações do crescimento da demanda no primeiro semestre.

Existem apenas duas maneiras de evitar o crescimento dos estoques na primeira metade de 2020 - mais demanda ou menos oferta ou uma combinação das duas. Um acordo de comércio entre os EUA e a China poderia impulsionar a economia global e, por extensão, a demanda por petróleo. Isso ainda pode ser alcançado. Por outro lado, a desaceleração do crescimento da produção nos EUA pode ajudar a impedir que os estoques se acumulem muito rapidamente no primeiro semestre do próximo ano.

Se nada mudar, serão necessários cortes mais profundos na produção da Opep+ quando o grupo se reunir no início de dezembro para decidir sobre os próximos passos.