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WeWork não vale US$ 47 bi, mas conta de aluguel ainda é salgada

Vlad Savov

23/10/2019 11h03

(Bloomberg) -- A WeWork conseguiu evitar uma crise de liquidez ao acertar um novo pacote de resgate junto à SoftBank Group. Porém, a startup que oferece espaços de trabalho compartilhado ainda tem muito chão pela frente até atingir a estabilidade financeira ? e muito mais até dar lucro.

Cinco números ajudam a explicar um dos mais dramáticos reveses empresariais da história recente.

1. US$ 47 bilhões: O valor de mercado máximo estimado para a WeWork ? no início deste ano, quando a SoftBank despejou dinheiro no empreendimento ? agora é uma lembrança distante. O último investimento pelo conglomerado japonês na empresa problemática agora coloca seu valor de mercado em aproximadamente US$ 8 bilhões.

A quantia também corresponde à soma dos pagamentos futuros de aluguel que a WeWork precisa realizar, devido ao modelo sob o qual levanta capital para alugar espaços que reforma e então aloca a seus próprios inquilinos. Este esquema está por trás da queima de caixa que agora assusta investidores.

2. US$ 9,5 bilhões: O tamanho total do pacote de resgate anunciado por Tóquio na quarta-feira, que inclui US$ 5 bilhões em financiamento novo, aceleração de um compromisso de financiamento existente de US$ 1,5 bilhão e uma oferta de compra de ações no valor de US$ 3 bilhões. É também uma medida do fôlego proporcionado à WeWork até que precise captar mais recursos ? ou tente novamente uma abertura de capital.

3. US$ 1,2 bilhão: Quantia que, segundo relatos, o fundador e ex-presidente Adam Neumann embolsará após o último acordo. Neumann tem direito de vender cerca de US$ 1 bilhão em ações para a SoftBank e receberá US$ 185 milhões por serviços de consultoria, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

4. Milhares: O generoso pacote de saída de Neumann causou indignação entre ex-colegas que agora podem perder seus empregos. A expectativa é de milhares de demissões.

5. Dois: Como parte do acordo, Neumann poderá nomear dois integrantes do Conselho de Administração expandido da WeWork. Ele atuará como observador do Conselho e, por meio dos dois membros indicados, contribuirá para a definição dos rumos da companhia.