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Cúpulas da Nike e Under Armour não fazem o que dizem às mulheres

Jeff Green e Eben Novy-Williams

25/10/2019 19h04

(Bloomberg) — A Nike diz para as mulheres sonharem mais loucamente (com o slogan "Dream Crazier"). A rival Under Armour garante que sua consumidora conseguirá o que quiser ("I Will What I Want"). Até agora, os slogans não chegaram à presidência dessas empresas.

Quando deixaram seus cargos esta semana, os líderes de longa data das duas companhias ? Mark Parker e Kevin Plank, respectivamente ? foram substituídos por homens. O novo CEO da Nike, John Donahoe, também foi sucedido por um homem na ServiceNow, que ele liderava anteriormente.

Pelo menos meia dúzia de trocas de comando foram anunciadas por integrantes do índice S&P 500 na terça-feira, inclusive Boeing e a empresa de biotecnologia Amgen. Apenas uma mulher foi promovida: Jennifer Morgan se tornou copresidente da SAP e primeira mulher a comandar uma companhia listada na Alemanha.

Há quatro mulheres entre 31 CEOs nomeados por componentes do S&P 500 no primeiro semestre, com ganho líquido de apenas três, de acordo com dados da agência de recrutamento executivo Spencer Stuart.

A decisão de não promover mulheres coloca em questionamento o processo sucessório, principalmente em empresas que tentam se livrar da reputação de "cultura dos manos", disse Trina Gordon, líder da companhia de recrutamento executivo Boyden. "Quando se olha para uma Nike ou Under Armour, onde existiram desafios adicionais de acusação de discriminação no local de trabalho, é infelizmente uma oportunidade perdida nos dois lugares", afirmou Gordon em entrevista.

A Under Armour não considerou qualquer candidato além de Patrik Frisk, tido como herdeiro do cargo desde 2017. A Amgen, que esta semana trocou de diretor financeiro, declara que avaliou um "um conjunto diversificado de candidatos". A Nike não respondeu a perguntas sobre seu processo sucessório ou quantas outras pessoas considerou.

Os conselhos das empresas costumam produzir candidatos, mas raramente têm diversidade, disse Veronica Biggins, diretora-gerente da firma de recrutamento executivo Diversified Search e também diretora da Southwest Airlines. As mulheres têm parcela recorde de assentos nos conselhos das componentes do S&P 500, mas ainda representam apenas 26% das diretorias. A Nike tem três mulheres no conselho e a Under Armour, duas.

As mulheres também têm menos chance de conseguir a presidência em processos formais de sucessão. Menos da metade das CEOs do sexo feminino entrevistadas pelo recrutador Egon Zehnder participaram de uma sucessão planejada, em comparação a 62% dos homens.

A Nike classificou o vestuário feminino como "oportunidade épica de crescimento" e, assim como a Under Armour, investiu agressivamente em marketing para atrair consumidoras. Ambas fizeram acordos com atletas famosas, incluindo Simone Biles, Misty Copeland e Serena Williams. Internamente, poucas ocupam os melhores cargos: 36% das funções de vice-presidência e 39% das funções de diretoria na Nike.

Nos últimos anos, Nike e Under Armour reagiram a queixas sobre a dominância masculina na cultura organizacional, criando cargos executivos para cuidar de diversidade e da cultura do local de trabalho e contratando mulheres para essas funções. A Nike no ano passado escalou Kellie Leonard como sua primeira diretora de diversidade e inclusão. A Under Armour nomeou este ano Tchernavia Rocker como primeira diretora de pessoas e cultura.

—Com a colaboração de Kristen V. Brown.

Repórteres da matéria original: Jeff Green em Michigan, jgreen16@bloomberg.net;Eben Novy-Williams New York, enovywilliam@bloomberg.net