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Uber combate prejuízo com investida na Índia e novos negócios

Saritha Rai

25/10/2019 11h51

(Bloomberg) -- Presidente da Uber Technologies, Dara Khosrowshahi prometeu fazer a empresa dar lucro, enquanto tenta crescer em mercados emergentes como a Índia, tratar de preocupações de investidores com o acúmulo dos prejuízos e lidar com desafios regulatórios globais.

A Uber perdeu cerca de US$ 5,2 bilhões apenas no segundo trimestre e enfrenta dificuldades para convencer o mercado de seu potencial de crescimento ou de sua capacidade de gerar lucro no curto prazo. As ações despencaram 27% desde uma decepcionante abertura de capital (initial public offering ou IPO), em maio. Khosrowshahi, que neste mês anunciou uma rodada final de demissões, garantiu que a operação principal de transporte de passageiros começaria a ter lucratividade ao mesmo tempo em que novas linhas, como o serviço de entrega de comida Uber Eats, ganham força.

Khosrowshahi foi escalado para uma faxina na companhia em meados de 2017, após uma série de escândalos que derrubou o cofundador Travis Kalanick. A Uber já havia se tornado uma das startups mais valiosas do mundo, com expansão agressiva para novos mercados e levando seu modelo a lugares onde a legislação não estava preparada para lidar com o serviço de caronas. Atualmente, a companhia avança de maneira mais consistente após sair de mercados como a China, além de ampliar linhas de negócios existentes enquanto explora novos mercados. Em breve será lançado o Uber Works, que listará trabalhadores temporários de todo tipo.

"Se eu me avaliasse pela contabilidade do último trimestre, eu não estaria indo tão bem. Mas eu vivo no mundo real", disse Khosrowshahi, vestindo um colete de seda vermelha indiana com monograma Uber.

"Eu dirigi a Expedia por 12 anos. Era uma empresa lucrativa com fluxo de caixa significativo", lembra Khosrowshahi em conversa realizada no centro de engenharia da Uber em Bangalore, que estava decorado com lamparinas e cortinas alaranjadas para celebrar Diwali, o Festival das Luzes. A comissão da Uber nas viagens passa de 20% e "um grande negócio pode ser construído com uma taxa de 20%".

A Uber é um dos ativos mais importantes da carteira da SoftBank Group, a gigante japonesa de investimentos que também apoiou WeWork e antigas rivais da Uber, como Didi Chuxing. A empresa americana, que já foi uma das estrelas na constelação da SoftBank, agora é considerada uma das de pior desempenho no grupo.

A Índia tem potencial: um mercado enorme e inexplorado onde a Uber pode crescer rápido e acalmar seus investidores. É também um laboratório de inovação em termos de modos de transporte, de acordo com o executivo. "Nossos segmentos que mais crescem são alguns dos novos segmentos ? veículos de duas e três rodas", disse ele. A empresa está presente em cerca de 40 cidades indianas.

Khosrowshahi conta que a Uber continuará investindo por lá e está confiante que sua equipe criará produtos que não se encaixam apenas no mercado indiano, mas que poderão ser exportados na próxima década para regiões em expansão como Oriente Médio e África. Esta semana, ele apresentou um recurso para vincular os serviços da Uber ao sistema de transporte público de Nova Déli.

Um dos problemas mais significativos diante do executivo talvez seja a mudança na cultura de trabalho autônomo. Órgãos reguladores estão adotando medidas que dificultam a classificação de motoristas como profissionais independentes por aplicativos de transporte como Uber e Lyft. Essa questão coloca em xeque seus modelos de negócios. Na Califórnia, a classificação de motoristas como funcionários seria um "erro", ao aumentar os preços para os usuários e reduzir a disponibilidade do serviço, segundo Khosrowshahi.