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Corretora aposta em 'toque humano' para ganhar clientes na Ásia

Abhishek Vishnoi

29/10/2019 12h16

(Bloomberg) -- Enquanto corretoras globais zeram comissões para negociações e recorrem a robôs para consultoria, uma empresa em Cingapura decidiu remar contra a maré.

A UOB-Kay Hian Holdings assumiu o controle de um grande grupo de agentes de negociação de valores mobiliários da unidade de corretagem do maior banco do país. É essencialmente uma aposta de que os clientes ainda estão dispostos a pagar mais para serem aconselhados por humanos em suas aplicações.

"Há muita digitalização, mas o toque humano ainda é muito importante", disse Esmond Choo, diretor executivo sênior da UOB-Kay Hian, em entrevista.

Cerca de 100 corretores autonômos, que são pagos com comissões, vieram do DBS Vickers Securities (Cingapura) Pte, de acordo com Choo. Isso significa que a UOB-Kay Hian, cuja receita com comissões caiu 30% nos seis meses encerrados em junho em relação ao ano anterior, agora possui 820 dos agentes em Cingapura e uma grande rede em outros mercados asiáticos, disse.

"A decisão do DBS ofereceu uma boa oportunidade de expansão", disse Choo. "Leva muito tempo para construir uma base de 100 corretores."

Empresas como Charles Schwab e Fidelity Investments eliminaram comissões para uma variedade de produtos, enquanto consultores robóticos são cada vez mais usados para ajudar os clientes a montarem portfólios por uma fração do custo dos consultores humanos.

Para Justin Tang, chefe de pesquisa para a Ásia da United First Partners, a tendência global de produtos alternativos de baixo custo e automatizados ainda deve levar de três a cinco anos para chegar na Ásia. A decisão da UOB-Kay Hian, no entanto, "trará novos clientes e receita em um tempo relativamente curto", disse Tang.

'Toque humano'

"As sociedades asiáticas ainda têm muitos idosos que preferem o toque humano", disse Tang. Mas, ao mesmo tempo, "os investidores mais jovens digitarão as ordens em seus telefones", acrescentou.

A UOB-Kay Hian, onde o United Overseas Bank tem uma fatia de 39%, está disposta a contratar mais traders e adquirir corretoras menores, de acordo com Choo.

--Com a colaboração de Joyce Koh.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net