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EUA colocam Espanha no alvo de sanções para minar apoio a Maduro

Ben Bartenstein

31/10/2019 09h21

(Bloomberg) -- Membros do governo Donald Trump fazem pressão para impor sanções à Espanha devido ao suposto apoio financeiro do país ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

O Departamento do Tesouro dos EUA avalia sanções ao banco central da Espanha e medidas contra outras entidades onde o dinheiro venezuelano está depositado, disseram as pessoas, que não deram detalhes. Segundo as fontes, nenhuma medida deve ser tomada antes das eleições gerais da Espanha, em 10 de novembro.

A Espanha, que possui bases militares com milhares de soldados dos EUA, tem sido parceira de Washington na guerra contra o terrorismo e outras iniciativas globais. A perspectiva de represálias contra um aliado histórico não agrada alguns membros do governo dos EUA que se opõem à medida, o que levanta dúvidas sobre sua probabilidade. As pessoas disseram que autoridades espanholas foram alertadas sobre as possíveis sanções.

Esse pode ser o objetivo: mandar um recado e incentivar uma mudança na política espanhola em um momento em que Caracas depende principalmente da China e da Rússia para contornar as sanções dos EUA. Mas as possíveis sanções também mostram até que ponto o governo Trump está disposto a chegar para derrubar Maduro. O banco central da Espanha continua sendo um intermediário de Caracas, pois as sanções levaram muitas instituições financeiras a evitar acordos com o governo socialista.

Congelar ativos

Autoridades espanholas disseram que, durante uma recente reunião de uma hora em Madri com Elliott Abrams, representante especial dos EUA para a Venezuela, não houve menção sobre sanções. Abrams disse que o governo precisa reforçar a supervisão dos fundos venezuelanos que entram na Espanha e pressionou Madri a congelar ativos do país. Os espanhóis responderam que bancos privados e o banco central estão monitorando a lavagem de dinheiro, mas não vão congelar ativos sem provas.

A Espanha não recebeu notificação de qualquer medida do governo dos EUA e não acredita que seja justificada, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Madri. O Banco da Espanha e um porta-voz do Tesouro dos EUA não quiseram comentar. As pessoas falaram sob anonimato porque as discussões são confidenciais e ainda não foram concluídas.

Uma autoridade dos EUA que pressiona pelas sanções disse que Madri é tão responsável quanto a Rússia e a China por ajudar o regime de Maduro. Os defensores da medida dizem que o governo do primeiro-ministro em exercício da Espanha, Pedro Sánchez, impede que a União Europeia adote medidas mais punitivas contra Maduro. Também há frustração com a recusa de Madri em extraditar o ex-espião venezuelano Hugo Carvajal para ser julgado por acusações de tráfico de drogas. Para alguns membros do governo Trump, a Espanha é considerada um destino para venezuelanos que ficaram ricos saqueando empresas estatais.

--Com a colaboração de Fabiola Zerpa, Patricia Laya, Charles Penty, Ben Sills, Jeannette Neumann e Saleha Mohsin.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net