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Títulos da Argentina sob escrutínio com risco de reestruturação

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Imagem: iStock

Aline Oyamada e Andres Guerra Luz*

01/11/2019 13h47

Com a Argentina mais perto de um default, investidores estão pagando prêmios por títulos de dívida que, em sua análise, podem oferecer mais poder de negociação em uma possível reestruturação da dívida soberana.

Esses investidores estão analisando em detalhes as regras que regem os títulos, estudando termos sobre cláusulas de ação coletiva (CAC), que são acionadas quando os emissores desejam alterar os termos do contrato, como em uma reestruturação. Títulos que exigem uma porcentagem maior de investidores para assinar qualquer acordo são frequentemente negociados com um prêmio de cerca de 25% em relação aos papéis com um limite mais baixo.

Há boas razões para esperar uma negociação em breve. O presidente eleito Alberto Fernández já disse que a Argentina precisa de um alívio da dívida para tornar as contas do país sustentáveis, e disse esperar uma reestruturação bastante amigável para adiar os pagamentos dos títulos.

Mas antes mesmo que isso aconteça, alguns investidores estão aumentando suas posições em títulos emitidos em 2005 e 2010, dado que essas notas exigem aprovação de pelo menos 85% dos credores de todos os títulos afetados para que alterações em seus termos sejam feitas. Em títulos emitidos mais recentemente, o nível mínimo é mais baixo, de 66,67% ou 75%.

Jim Craige, gestor de recursos da Stone Harbor Investment Partners, um dos principais investidores de um dos títulos denominados em euros emitidos em 2010, disse que os que estão comprando títulos com cláusulas de ação coletiva mais restritivas se preparam para um "longo" processo, com o objetivo de proteger seus interesses e obter um acordo justo. "Os proprietários desses títulos estão dispostos a enfrentar a Argentina sobre isso."

Talvez não haja alternativa. Na última vez em que credores descontentes foram aos tribunais contra a Argentina para questionar os termos da reestruturação, após o default recorde de US$ 95 bilhões do país em 2001, a saga se arrastou por 10 anos. Este ano, alguns dos maiores investidores do país já criaram um grupo para negociações.

Embora a maior parte da dívida da Argentina agora seja negociada a cerca de 40 centavos de dólar - refletindo essencialmente as apostas de investidores na recuperação do valor -, alguns dos títulos denominados em dólar e euro com CACs mais rigorosas oferecem um prêmio de cerca de 10 centavos.

Por exemplo, títulos em dólares com vencimento em 2033 são cotados a 51 centavos de dólar, enquanto títulos com menor nível de CAC, com vencimento em 2028 e 2036, são negociados a 39 centavos. Um título denominado em euros com CAC mais alta e vencimento em 2033 é negociado a 48 centavos, enquanto outro título com CAC mais baixa e vencimento cinco anos antes é cotado a apenas 38 centavos de dólar.

As cláusulas de ação coletiva têm um significado particular para investidores argentinos, devido ao grande papel que poderiam ter desempenhado no default 2001. Na época, os títulos não eram regidos por regras que obrigariam investidores a aceitarem um acordo caso uma grande maioria de credores concordasse. Em vez disso, cada credor poderia escolher se aceitava ou não os termos.

Dada a provável maior dificuldade em alterar as regras de títulos com limite mais alto, há uma chance de títulos emitidos em 2005 e 2010 serem reestruturados com termos mais favoráveis ou talvez evitar completamente a reestruturação, disse Carolina Gialdi, agente de venda de renda fixa do BTG Pactual, em Buenos Aires.

* Com a colaboração de Sydney Maki e Jorgelina do Rosario

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