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China está confiante de que Huawei construirá rede 5G no Brasil

Samy Adghirni

11/11/2019 12h26

(Bloomberg) -- O governo da China se diz confiante de que o Brasil escolherá a Huawei Technologies para construir a rede móvel ultrarrápida de quinta geração, uma decisão de peso capaz de colocar o presidente Jair Bolsonaro em rota de colisão com seu aliado norte-americano.

O presidente da China, Xi Jinping, tem reunião marcada com Bolsonaro em Brasília esta semana - o segundo encontro entre eles em menos de um mês - durante a cúpula do BRICS, agrupamento de países que também inclui Rússia, Índia e África do Sul.

"Estou confiante no que diz respeito à cooperação entre a China e o Brasil na tecnologia 5G", disse o embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, em resposta a perguntas enviadas por e-mail. O Brasil "vai levar em consideração o seu próprio interesse de desenvolvimento" ao analisar a oferta da Huawei, acrescentou.

Yang disse que a atitude do Brasil em relação à Huawei permaneceu objetiva e racional em meio a uma campanha de "má fé e difamação" dos EUA.

Preocupações com segurança

Autoridades dos EUA advertiram aliados contra a dependência de componentes da Huawei em redes 5G, dizendo que isso facilitaria espionagem em favor de Pequim. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reiterou o alerta em discurso na Alemanha na sexta-feira, dizendo que a empresa não pode ser totalmente confiável, pois está sob controle do Partido Comunista da China.

Na década passada, o vasto apetite da China por matérias-primas, como ferro e soja, transformou o país no principal parceiro comercial do Brasil. Empresas chinesas também investem pesado no país, que busca atrair empresas estrangeiras para o programa de privatização conduzido pelo governo Bolsonaro e avaliado em centenas de bilhões de dólares.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro é um forte aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, e Washington já ameaçou reduzir a cooperação em segurança com o Brasil caso o país dê sinal verde à empresa de tecnologia chinesa.

Xi planeja realizar uma reunião bilateral separada com Bolsonaro durante a cúpula do BRICS esta semana. A expectativa é de que a Huawei participe do leilão 5G no Brasil em 2020.

Na entrevista por e-mail, o embaixador chinês também descartou qualquer mudança no apoio de Pequim ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela. O Brasil pediu que aliados reconheçam o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente legítimo da Venezuela.

--Com a colaboração de Martha Beck.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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