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Fed deve desafiar história e manter juros em ano eleitoral

Christopher Condon e Richard Miller

12/11/2019 14h21

(Bloomberg) -- O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve sinalizar novamente esta semana que a política monetária está em modo de espera, reforçando a expectativa de que o Fed vai evitar agir ao longo de 2020.

Surpreendentemente, isso seria uma anomalia histórica em um ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos. Em vez de evitar conflitos, o Fed alterou a política monetária em cada dos últimos 10 anos de eleição presidencial - embora em 2016 tenha elevado as taxas de juros apenas depois das eleições de novembro.

Em 2012, o Fed não mexeu na taxa de juros, que já estava em zero, mas anunciou a terceira rodada de compras de ativos em larga escala em setembro.

"Se você analisar a história e ver o que o Fed fez em anos eleitorais, o banco central fez tudo o que precisava", disse Roberto Perli, sócio da Cornerstone Macro, em Washington. A melhor maneira de preservar a independência e a credibilidade "é fazer o que acha certo".

Isso nem sempre protegeu o Fed das críticas. O então presidente George H.W. Bush culpou Alan Greenspan, na época no comando do Fed, de prejudicar sua reeleição em 1992, ao não reduzir as taxas de juros de forma mais agressiva. Mas agora é particularmente fundamental que o Fed argumente que suas políticas são justificadas pelas perspectivas econômicas devido ao incansável ataque público à instituição pelo presidente Donald Trump.

Powell terá a chance de defender sua posição duas vezes esta semana, na quarta-feira diante do Comitê Econômico Conjunto do Congresso e na quinta-feira no Comitê de Orçamento da Câmara. É provável que Powell ecoe a mensagem enviada após o mais recente corte das taxas pelo Fed: a economia e a política monetária estão bem, no 11º ano do ciclo de expansão mais longo dos EUA.

Os investidores parecem concordar. Os preços das ações e títulos subiram nos últimos dias devido aos sinais de que a economia americana tem conseguido compensar a desaceleração no exterior e à esperança de um acordo de primeira fase na guerra comercial EUA-China.

"As coisas parecem muito menos ameaçadoras do que há dois meses", disse Carl Tannenbaum, economista-chefe da Northern Trust, em Chicago. "Os dados para os EUA indicaram que não estamos à beira de cair de um penhasco."

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Christopher Condon Washington, ccondon4@bloomberg.net;Richard Miller em Washington, rmiller28@bloomberg.net

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