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Foco de bancos em custos pode encolher bônus em Wall Street

Hannah Levitt

12/11/2019 12h36

(Bloomberg) -- Equipes de trading e de bancos de investimento com expectativa de bônus altos no fim do ano, após um terceiro trimestre com resultados acima do esperado, podem ficar decepcionadas.

Os bônus em Wall Street devem ser menores em 2019, segundo relatório divulgado na terça-feira pela consultoria de remuneração Johnson Associates. Operadores de renda variável devem ser os mais afetados, com uma queda de até 15% em relação ao ano anterior. Para subscritores de dívidas e ações, os bônus encolheriam 10%. Traders de renda fixa podem se sair um pouco melhor, com uma queda de até 5%.

"A remuneração está baixa em um mercado saudável - isso apenas diz o nível de competição que realmente existe", disse Alan Johnson, diretor-gerente da Johnson Associates, em entrevista.

Os bancos mostraram resultados moderados no mercado de capitais nos últimos trimestres, diante das incertezas na geopolítica e taxas de juros. O terceiro trimestre positivo não deve ser suficiente para compensar o pior primeiro semestre em uma década para as mesas de trading de Wall Street, principalmente porque os últimos três meses do ano tendem a ser fracos, disse Johnson.

Quem trabalha com hedge funds, private equity e banco de investimento deve receber bônus um pouco mais altos, com alta estimada de 5%, de acordo com o relatório. No geral, os incentivos de final de ano, como bônus em dinheiro e prêmios de ações, caíram 5% em relação ao ano passado, disse a Johnson Associates, após aumentos anuais consecutivos desde 2016.

Para piorar a situação, é improvável que 2020 ofereça um grande alívio e, provavelmente, será "particularmente desafiador", disse a Johnson em comunicado que acompanha o relatório. Com as taxas de juros em queda e crescimento econômico lento, as previsões de receita caíram nos maiores bancos dos EUA, que agora precisam se concentrar em cortes de custos para manter os lucros em alta.

"Em serviços financeiros, existe uma tensão real entre os custos dos negócios e a busca por talentos qualificados diante da evolução dos fundamentos e dinâmica do mercado", disse a Johnson. "As demissões seletivas e queda das contratações devem continuar com a retração das despesas em gestão."

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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