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Navios secretos impulsionam exportações de petróleo da Venezuela

Lucia Kassai

14/11/2019 15h05

(Bloomberg) -- O Dragon, um enorme petroleiro com a bandeira da Libéria, deveria estar flutuando em algum lugar ao largo da costa da França, segundo o sinal mais recente de GPS.

No entanto, atualmente está a milhares de quilômetros de distância na Venezuela, onde, sob um contrato com a gigante de petróleo russa Rosneft Oil, transportou 2 milhões de barris de petróleo, de acordo com dados compilados pela Bloomberg e relatórios de embarques. Como isso seria possível? Porque os transponders do navio foram desligados antes de deslizarem para águas venezuelanas, segundo os dados.

A prática de desligar sinais de localização de petroleiros aumentou no mês passado, segundo dados de embarques, depois que os Estados Unidos colocaram uma companhia chinesa de navegação na mira que, segundo o governo dos EUA, estaria levando petróleo bruto para o Irã, atualmente sob sanções. Os EUA tentam colocar o regime do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, contra a parede, deixando o país sem acesso à receita de petróleo. Mas cada vez mais petroleiros parecem estar usando a técnica para evitar as sanções, o que ajuda a impulsionar a produção de petróleo venezuelana, em queda desde que os EUA impuseram as restrições.

A Venezuela carregou 10,86 milhões de barris de petróleo nos primeiros 11 dias de novembro, mais que o dobro do volume no mesmo período do mês passado. Cerca de metade desses barris foram carregados em navios que desligaram seus transponders, que depois fizeram entregas à China e à Índia, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A Dynacom Tankers Management, que administra o Dragon, disse em comunicado enviado por e-mail que "desde janeiro de 2019 nenhum dos navios sob nossa administração jamais celebrou qualquer contrato com qualquer entidade sancionada pelos EUA, e nunca violou uma sanção dos EUA relacionada à Venezuela ou de outra forma." A empresa não comentou por que o sinal do Dragon esteve desativado nas últimas três semanas nem confirmou se o navio estava atracado no país sul-americano.

Já a Rosneft disse em comunicado por e-mail que a empresa e sua subsidiária RTSA "não fretaram navios nesta cadeia logística". As operações da empresa envolvendo a Venezuela "são baseadas em contratos fechados muito antes das sanções e cumprem totalmente todas as regras do direito internacional". A declaração não abordou especificamente o uso de transponders.

Embora seja possível que os transponders, conhecidos como sistemas de identificação automática, possam ficar off-line, normalmente os dispositivos não ficam desligados por muito tempo. A prática de esconder navios que transportam petróleo não é nova e pode ser feita para fins competitivos ou por outros motivos. O Irã, outro membro da Opep sancionado pelo governo dos EUA, também usa navios camuflados para exportar petróleo.

A demanda por petróleo venezuelano aumentou este mês: a estatal PDSVA reconquistou clientes, como a refinaria indiana Reliance Industries Ltd. A Tipco Asphalt Public, uma refinaria da Tailândia, também comprou petróleo venezuelano em novembro, depois de uma ausência de dois meses.

--Com a colaboração de Olga Tanas.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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