IPCA
0,51 Nov.2019
Topo

Bancos de Wall Street impulsionam rali de ações brasileiras

Aline Oyamada e Vinícius Andrade

22/11/2019 15h04

(Bloomberg) -- Do JPMorgan Chase ao UBS, grandes bancos de Wall Street reforçaram apostas de alta para ações brasileiras nesta semana, indicando que o rali dos últimos 12 meses ainda tem fôlego.

A recomendação é que os clientes tenham posição "overweight" em ações brasileiras, as quais devem ser impulsionadas pela aceleração do crescimento econômico e os juros no menor patamar histórico, um cenário muito positivo para a renda variável. O rali que levou o Ibovespa a um nível recorde este mês é apenas o começo, segundo os bancos.

"Este é apenas o começo de um longo ciclo de recuperação econômica em um ambiente de baixas taxas de juros", segundo relatório divulgado na quinta-feira pelos estrategistas do UBS Ronaldo Patah e Alejo Czerwonko, que elevaram a recomendação para as ações brasileiras de "overweight" para "forte overweight". O mercado de ações local é a melhor classe de ativos a ser posicionada no ambiente atual."

No mais recente sinal de otimismo, o iShares MSCI Brazil ETF da BlackRock, maior fundo de índice de ações brasileiras com US$ 9,1 bilhões em ativos, registrou na quinta-feira a maior entrada diária desde março de 2018.

O Ibovespa acumula ganhos desde a posse do presidente Jair Bolsonaro em janeiro, embalado por fatores como a aprovação da reforma da Previdência e corte dos juros. O indicador é o sétimo com melhor desempenho entre 94 índices globais nos últimos 12 meses.

Ao lado da Colômbia, o Brasil é um dos dois mercados acionários favoritos do JP Morgan na América Latina, com base na expectativa de que juros mais baixos abram caminho para uma retomada econômica alimentada pelos gastos dos consumidores.

O mercado brasileiro também está entre os favoritos do Morgan Stanley. Oito das dez principais recomendações de ações do banco para a região são de empresas brasileiras. O banco projeta o Ibovespa em 125 mil pontos no final de 2020, 17% acima dos níveis atuais. Bancos, transporte e saúde são os setores preferidos do Morgan Stanley.

A economia brasileira deve crescer 2% no ano que vem e 2,5% em 2021, segundo pesquisa da Bloomberg, mas há projeções mais otimistas. O UBS espera crescimento de 2,5% em 2020 e outros bancos, como Bank of America Merrill Lynch e Bradesco, recentemente elevaram as previsões.

O Brasil tem a "combinação mais atraente de forte crescimento e hiato do produto", disseram estrategistas do Credit Suisse, liderados por Andrew Garthwaite, em relatório na quinta-feira. Além disso, "o crescimento está sendo revisado para cima, e a inflação, para baixo".

Repórteres da matéria original: Aline Oyamada em São Paulo, aoyamada3@bloomberg.net;Vinícius Andrade em Sao Paulo, vandrade3@bloomberg.net

Economia