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Nova presidente da Comissão Europeia tem tarefa difícil à frente

Nikos Chrysoloras e Jonathan Stearns

29/11/2019 14h54

(Bloomberg) -- A nova presidente do braço executivo da União Europeia tem uma difícil missão.

Nos próximos cinco anos à frente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen quer estabelecer as bases para a transição do bloco rumo a uma economia de baixo carbono e tornar Bruxelas menos voltada para seus próprios assuntos, mudando o foco na geopolítica.

Quaisquer propostas legislativas ambiciosas da comissão enfrentarão uma batalha difícil devido à fragmentação do Parlamento da UE, a um ambiente global implacável e ao eterno desafio de garantir a aprovação dos governos do bloco.

Abaixo estão alguns planos de von der Leyen e por que não será fácil:

Política climática

Objetivo: fazer da Europa o primeiro continente neutro em emissões de carbono até 2050.

Desafio: primeiro von der Leyen precisará obter apoio de todos os governos da UE, incluindo a Polônia, que é dependente de carvão, e de um pequeno grupo de aliados do leste europeu. Depois disso, terá que encontrar ferramentas para mobilizar trilhões de euros para financiar a transição, que afetará vários setores, como produção de energia, transporte e agricultura.

Negociação pós-Brexit

Objetivo: obter um acordo abrangente e equilibrado para consolidar o relacionamento da UE com o Reino Unido após o Brexit.

Desafio: garantir um acordo que seja benéfico para a UE a longo prazo, principalmente nas áreas de comércio e segurança, sem atender todas as demandas do Reino Unido. Será crucial manter os 27 governos unidos, uma tarefa que se tornará ainda mais complicada quando as prioridades de outros países forem expostas.

Relação com Trump

Objetivo: navegar por uma relação transatlântica cada vez mais hostil.

Desafio: os EUA são o aliado mais importante do bloco, e as relações entre as duas regiões deterioraram muito desde que Donald Trump assumiu o poder há três anos.

Além da disputa comercial, os EUA planejam deixar o acordo climático de Paris no próximo ano, enquanto Trump intimidou aliados europeus por causa de seus gastos em defesa e até flertou com a ideia de deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Comércio global

Objetivo: preservar o sistema da Organização Mundial do Comércio.

Desafio: atender às demandas dos EUA para um reformulação da OMC enquanto combate as práticas americanas e chinesas que afetam a organização. Com a OMC ameaçada pelo protecionismo dos EUA, um iminente impasse no órgão de apelação como resultado da recusa de Washington de aprovar nomeações e distorções comerciais da China comunista, a tarefa é tão urgente quanto desafiadora.

Objetivo: expandir o arsenal da política comercial da UE, possivelmente capacitando o bloco a sancionar países que impõem barreiras comerciais ilegais e que bloqueiam o sistema de solução de controvérsias.

Desafio: persuadir as capitais da UE de que tal iniciativa não prejudicaria seus laços bilaterais com grandes parceiros comerciais fora do bloco. Embora o comércio esteja entre as políticas mais centralizadas da UE, os países membros podem relutar em expandir os poderes do bloco nessa área, porque isso pode significar controle nacional ainda menor.

--Com a colaboração de Nikos Chrysoloras, Stephanie Bodoni, Alexander Weber, Viktoria Dendrinou, Ian Wishart, Natalia Drozdiak, Ewa Krukowska e Aoife White.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Nikos Chrysoloras Brussels, nchrysoloras@bloomberg.net;Jonathan Stearns em Strasbourg, France, jstearns2@bloomberg.net