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Investidores de olho em ameaça tarifária de Trump contra China

Eric Lam e Gregor Stuart Hunter

03/12/2019 12h46

(Bloomberg) -- As mais recentes ameaças de Donald Trump na arena comercial são um alerta para investidores de mercados com índices próximos a níveis recordes de que a hora de uma grande decisão sobre a China está chegando.

O prazo de 15 de dezembro para a implementação de tarifas foi visto com mais alívio na terça-feira, quando Trump disse que não tem urgência para concluir um acordo, logo após ameaçar Brasil e Argentina.

"Se as tarifas programadas para 15 de dezembro forem implementadas, seria um grande choque para o consenso do mercado", disse Sue Trinh, diretora-gerente de estratégia macro global da Manulife Investment Management, em Hong Kong. "Trump seria o Grinch que roubou o Natal", afirmou.

As ações globais subiram para uma máxima histórica no mês passado, impulsionadas em parte pelo otimismo crescente de que pelo menos um acordo comercial temporário entre EUA e China estava próximo. Mas o tempo passava, já que Trump ameaçou impor tarifas de 15% sobre US$ 160 bilhões em importações chinesas em 15 de dezembro.

Faltando duas semanas para enfrentar a batalha com a China, na segunda-feira o governo Trump escolheu como alvo o Brasil e a Argentina com tarifas sobre o aço e propôs sobretaxas à França como punição por um imposto que atingiu grandes empresas de tecnologia dos EUA.

As ameaças tarifárias de Trump na segunda-feira foram suficientes para desencadear a maior onda vendedora de Wall Street em oito semanas, que teve uma pequena ajuda de um relatório que mostrou dados fracos sobre o setor de manufatura nos EUA.

"Não tenho prazo", disse Trump a jornalistas na terça-feira em Londres, quando perguntado se queria fechar um acordo até o fim do ano.

O presidente dos EUA sugeriu que, de certa forma, seria melhor esperar até depois das eleições de novembro.

'Futuro sombrio'

Será "definitivamente arriscado", disse Tongli Han, diretor de investimentos da Deepblue Global Investment, em entrevista à Bloomberg TV, com referência à possibilidade de imposição de tarifas à China. "O que aconteceu recentemente torna esse acordo comercial mais custoso para os líderes chineses - então vejo um futuro sombrio no curto prazo, de um a dois meses."

Mais sorte em 2020

Com 2019 chegando ao fim e as perspectivas de um acordo comercial mais remotas, é hora de os investidores diminuíram um pouco a exposição ao risco, disse Steve Brice, estrategista-chefe de investimentos do Standard Chartered, à Bloomberg TV.

"Parece que vai ficar para o início do ano que vem, na melhor das hipóteses", disse Brice. A mensagem para investidores é "talvez aparar um pouco a exposição em renda variável", ou certamente não buscar novos investimentos nesta fase. Mas ele recomenda a estratégia nas próximas semanas se houver uma "retração de 5 a 7%".

A longo prazo, Brice continua otimista: "os EUA e a China ainda farão algum tipo de acordo. Isso reduzirá a incerteza e ajudará a economia global a se sair bem."

--Com a colaboração de Cormac Mullen, Andreea Papuc, Joanna Ossinger e Francine Lacqua.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Eric Lam Hong Kong, elam87@bloomberg.net;Gregor Stuart Hunter Hong Kong, ghunter21@bloomberg.net

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