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Retorno zero respalda estratégia de flexibilização do BOJ

Toru Fujioka e Chikako Mogi

10/12/2019 12h46

(Bloomberg) -- Para o Banco do Japão, o recente sinal de dinamismo dos rendimentos dos títulos japoneses pode ser uma indicação de que seu amplo programa de flexibilização é sustentável.

Na terça-feira e pela primeira vez desde março, o retorno dos títulos de 10 anos do governo subiu para 0%. Há apenas três meses, quando o rendimento caiu para aproximadamente -0,3%, o mercado questionou a capacidade do BOJ de manter o rendimento em uma faixa-alvo em torno de zero, levando ao debate sobre a necessidade de o banco reformular sua estrutura de flexibilização.

Essas vozes estão mais silenciosas agora, embora o aumento dos rendimentos seja em grande parte resultado de um momento de sorte do BOJ, e não de seus ajustes. O banco central japonês tem ajustado seus programas de compras de títulos para tentar impulsionar a curva de juros, mas, em grande parte, foram o fluxo de dados e eventos globais que elevaram o retorno dos títulos de 10 anos.

Embora um acordo comercial inicial entre Estados Unidos e China ainda não tenha sido concluído, as perspectivas são um pouco melhores do que no início de setembro, quando as negociações comerciais estavam bloqueadas e a atividade do setor de manufatura dos EUA abalada. Outro corte dos juros pelo Federal Reserve desde então e dados recentes sobre o mercado de trabalho, que mostrou expansão acima do esperado, ajudam a elevar os rendimentos globais.

"O BOJ ficará feliz em ver o rendimento de 10 anos chegar a zero", disse Takenobu Nakashima, estrategista sênior de juros da Nomura Securities, em Tóquio.

A demanda mais fraca por títulos de longo prazo deve reduzir a necessidade de o BOJ diminuir as compras, inclusive permitindo comprar mais, disse Nakashima. Esse resultado ajudaria o banco central a manter sua estrutura de controle da curva de juros e seu compromisso de continuar expandindo a base monetária, acrescentou.

Ainda assim, a alta provavelmente será limitada, já que investidores podem começar a comprar títulos que já não tenham rendimento negativo, afirmou.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Toru Fujioka Tokyo, tfujioka1@bloomberg.net;Chikako Mogi Tokyo, cmogi@bloomberg.net

Economia