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Cingapura embarca em ofensiva global contra 'fake news'

Philip Heijmans e Yoolim Lee

27/12/2019 13h35

(Bloomberg) -- Diplomatas de Cingapura assumiram a liderança na defesa de uma lei contra notícias falsas, em vigor há dois meses, desafiando meios de comunicação internacionais que estariam publicando alegações enganosas sobre a polêmica legislação.

Desde que a lei foi promulgada em outubro, as autoridades da cidade-estado do Sudeste Asiático acionaram a legislação quatro vezes contra críticos e uma vez contra o Facebook, que foi obrigado a anexar uma "correção" divulgada pelo governo a conteúdos supostamente falsos. As autoridades do governo também questionaram a cobertura crítica da mídia sobre a Lei de Proteção contra Falsidades e Manipulação On-line.

Foo Chi Hsia, alta comissária de Cingapura no Reino Unido, declarou que a "The Economist" havia deturpado a lei. Em carta ao editor da revista em 21 de dezembro, a comissária disse que a lei "deveria ser vista no mesmo contexto de nossa crença no direito de resposta, o que, a nosso ver, melhora em vez de reduzir a qualidade do discurso público".

No início de dezembro, o embaixador de Cingapura nos EUA, Ashok Kumar Mirpuri, questionou um artigo do Washington Post com especialistas que criticaram a lei, dizendo que a legislação poderia ter um "efeito assustador na livre expressão on-line". Na carta, à qual a Bloomberg teve acesso, ele também criticou Phil Robertson, vice-diretor da divisão da Ásia da Human Rights Watch, citado como especialista no artigo. Dias depois, Bernard Toh, diretor da divisão de política de informações do Ministério das Comunicações e Informações, acusou Fred Ryan, editor do jornal, de "perpetuar falsas alegações", segundo reportagens da mídia local.

Discurso livre

A batalha pela opinião pública ocorre quando empresas de redes sociais pesam o impacto da lei nos negócios. Os políticos da oposição de Cingapura também estão preocupados que a lei sufoque a dissidência antes das eleições programadas para abril de 2021. Eles acreditam na vitória do Partido de Ação Popular, que governa Cingapura desde a independência em 1965, apesar da desaceleração da economia.

O governo de Cingapura disse que a nova lei não tem como objetivo sufocar a liberdade de expressão e é aplicada independentemente do ciclo eleitoral. "Isso é igualmente verdade com leis que regulam o exercício dos direitos de liberdade de expressão e assembleia e com qualquer outra lei", escreveu o governo de Cingapura em resposta por e-mail a perguntas, observando que o conteúdo impactado pela lei permanece intacto ao lado da correção pedida. "Eles podem ler os dois e decidir por si mesmos a verdade. Isso incentiva uma maior transparência", afirmou o governo.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Philip Heijmans Singapore, pheijmans1@bloomberg.net;Yoolim Lee em Singapore, yoolim@bloomberg.net