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Argentina embarca trigo para Etiópia depois de onda de vendas

Isis Almeida e Jonathan Gilbert

10/01/2020 13h12

(Bloomberg) -- A Argentina está enviando alguns embarques de trigo para a Etiópia, um destino pouco frequente, depois que agricultores do país correram para vender grãos antes do aumento dos impostos de exportação.

Pelo menos dois navios que transportavam o grão partiram do porto de San Lorenzo no mês passado, e outros dois tem previsão de partir este mês, segundo a Agência Marítima Nabsa SA. Três navios foram fretados pela Gemcorp Capital, uma empresa financeira e de trading mais conhecida por vender grãos da região do Mar Negro.

Agricultores argentinos aumentaram as vendas de grãos no fim do ano passado, e traders se apressaram para registrar as exportações antes da mudança de governo que resultou em impostos de exportação mais altos. A corrida fez com que os preços dos grãos argentinos ficassem mais atraentes em um momento de oferta mais apertada na Rússia e na Ucrânia.

"A Etiópia é um novo mercado", disse Gustavo Idigoras, presidente do Centro de Exportadores de Cereais (CEC) da Argentina, cujos membros incluem algumas das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo. "A Argentina é mais competitiva em termos de preço e qualidade."

Os navios Villa Deste e Andromache transportaram cerca de 94 mil toneladas de trigo para a Etiópia em dezembro. Neste mês, o Common Horizon e o CPT Georgios devem embarcar 90 mil toneladas, segundo dados da Nabsa. Estes foram os primeiros embarques da Argentina para a Etiópia em dados desde 2002.

A Gemcorp, que recentemente venceu uma licitação para fornecer 400 mil toneladas de trigo à Etiópia, fretou três navios, segundo os dados. O quarto navio tem a Cofco listada como transportadora ou fretadora. Os navios desembarcarão no porto de Djibouti, já que a Etiópia não tem litoral.

Diante de graves crises de alimentos, a Etiópia gasta US$ 700 milhões por ano em importações de grãos. Embora a produção de trigo do país tenha saltado cerca de 70% na década passada, o volume não acompanhou o ritmo da demanda crescente, e as compras - principalmente do Mar Negro - são necessárias para preencher o déficit.

--Com a colaboração de Samuel Gebre e Megan Durisin.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Isis Almeida em Londres, ialmeida3@bloomberg.net;Jonathan Gilbert em Buenos Aires, jgilbert63@bloomberg.net