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Google se expande discretamente em NY enquanto Amazon recua

Gerrit De Vynck e Natalie Wong

13/01/2020 11h09

(Bloomberg) -- Se a frustrada expansão da Amazon.com na cidade de Nova York serviu como advertência, o Google está mostrando que há um caminho alternativo.

A unidade da Alphabet contratou milhares de pessoas desde que se estabeleceu no bairro de Chelsea, em 2006, e planeja abrir outros milhares de postos na zona oeste de Manhattan. A empresa não recebeu subsídios públicos e se expandiu rapidamente em Nova York sem provocar muita ira.

"O Google fez isso com muita sabedoria", disse Mitchell Moss, professor de planejamento urbano da Universidade de Nova York.

O Google, pioneiro em tecnologia quando chegou a Nova York há 20 anos, estabeleceu-se gradualmente, comprando e alugando principalmente edifícios mais antigos, sem alterar a paisagem.

Enquanto isso, a Amazon flertava com cidades nos EUA em sua chamativa iniciativa para instalar uma segunda sede. Por fim, negociou bilhões em subsídios do governo para trazer 25 mil empregos para a área de Long Island City, no Queens. A gigante do comércio eletrônico, com sede em Seattle, desistiu dos planos há um ano depois que o uso de dinheiro público se tornou alvo de críticas, em parte devido a preocupações sobre o impacto de um enorme novo campus cheio de funcionários bem pagos da Amazon em um bairro em processo de gentrificação.

O Google tem mais de 8 mil funcionários em Nova York, distribuídos em vários prédios, e pode ultrapassar 14 mil em 2028. Nos últimos dois anos, comprou o Chelsea Market e um edifício em construção na 15th Street, por um total de cerca de US$ 3 bilhões. Também anunciou planos para investir mais de US$ 1 bilhão em um novo campus na Hudson Square, a cerca de 1,6 km ao sul de sua sede em Nova York, na 111 Eighth Ave.

Quando o Google comprou o prédio em 2010, representou um marco no objetivo de Nova York de se tornar um hub de tecnologia, disse Doug Harmon, que intermediou o acordo e agora é presidente do conselho de mercado de capitais da Cushman & Wakefield. A presença constante da empresa atraiu outros gigantes da tecnologia que estão transformando a zona oeste de Manhattan em um novo corredor tecnológico.

Há muito tempo um reduto da mídia e das finanças, Nova York tem se voltado para a tecnologia. Empresas já com forte expansão na Califórnia agora buscam a força de trabalho altamente qualificada da cidade, que contava com mais de 264 mil trabalhadores no setor de tecnologia em 2018, um salto de 20% em relação a 2013, segundo a empresa imobiliária CBRE. O Facebook expandiu sua presença nos últimos meses com o aluguel de escritórios no Hudson Yards, enquanto a Amazon também recentemente ocupou espaço no bairro para acomodar mais de 1,5 mil funcionários, um sinal de que ainda planeja fazer contratações na cidade, apesar do fracasso do projeto HQ2.

Embora a Amazon tenha dito em fevereiro do ano passado que estava decepcionada por não conseguir estabelecer relações com autoridades estaduais e locais necessárias para avançar seu projeto no Queens, a empresa planeja expandir seus 18 centros de tecnologia nos EUA, incluindo em Nova York.

--Com a colaboração de Nic Querolo.

Repórteres da matéria original: Gerrit De Vynck New York, gdevynck@bloomberg.net;Natalie Wong New York, nwong133@bloomberg.net

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