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Redução de agências bancárias promete transformar cenário em NY

Natalie Wong e Nic Querolo

24/01/2020 15h34

(Bloomberg) -- Um banco, uma farmácia, outro banco: é provável que um passeio por uma avenida de Manhattan resulte em uma cena de varejo entediante.

Os nova-iorquinos reclamam há anos do desaparecimento de seus amados restaurantes familiares, suas lojas de ferramentas, de seus bares. Substituídos por uma agência bancária. Uma farmácia. Outro banco.

Agora, com os serviços de banco on-line em ascensão, os dias das grandes agências bancárias com pilares do renascimento grego e tetos abobadados estão contados. A cidade de Nova York se une a uma tendência que já domina o resto do país. Menos agências bancárias. Agências bancárias menores. Wall Street planeja uma presença reduzida nas principais ruas de Manhattan.

"Há um banco em cada esquina e, definitivamente, isso provoca críticas", disse o historiador da cidade de Nova York Kevin Draper. "Muitas pessoas fazem serviços bancários on-line e por telefone. Francamente, os nova-iorquinos ficarão felizes em ver alguns desses lugares desaparecer. Mas a questão é: esses lugares ficarão simplesmente vagos?".

O vencimento dos contratos de aluguel das agências alimenta a tendência. Os bancos assinaram muitos dos acordos de 2002 a 2007 - antes que "subprime", ou alto risco, se tornasse uma palavra conhecida - e muitos deles tinham prazo de 15 anos, de acordo com corretores imobiliários.

Proprietários de Manhattan

A ideia de propriedades vazias deixa muitos donos de imóveis comerciais de Nova York em pânico, segundo alguns corretores. Devido à crise do varejo, os proprietários valorizam os aluguéis constantes pagos pelas maiores instituições financeiras do mundo e não esperam ter que fazer acordos para segurá-las ou ter que se esforçar para preencher o espaço vazio caso os bancos saiam. Também não gostam da ideia de que as agências restantes aluguem menos espaço.

Os bancos têm reduzido a presença física nos EUA. Mais da metade dos condados do país perdeu agências entre 2012 e 2017, sendo as áreas rurais as mais afetadas, de acordo com o Federal Reserve.

Em Manhattan, o número de agências aumentou quase 50% entre 2002 e 2009, de acordo com dados do Federal Deposit Insurance Corporation. Desde então, o número de agências caiu em torno de 5%, com um declínio de 2,5% nos últimos dois anos.

Aluguéis do varejo

O encolhimento contribuiu para o declínio dos valores dos imóveis comerciais na cidade. O aluguel médio solicitado no varejo caiu 8,1% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, segundo a corretora Jones Lang LaSalle.

Alguns proprietários de Manhattan estão oferecendo descontos nas negociações de aluguel para segurar os bancos, preferindo reduzir o valor em vez de ficar com os imóveis vazios por longo tempo.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Natalie Wong New York, nwong133@bloomberg.net;Nic Querolo New York, jquerolo1@bloomberg.net

Economia