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Bancos de Wall Street se preparam para batalha do Brexit

Viren Vaghela, Silla Brush e Harry Wilson

29/01/2020 13h50

(Bloomberg) -- Os titãs de Wall Street passaram a dominar as finanças de Londres. Agora, são os que mais têm a perder diante do acerto de contas final do Brexit - e com menos influência do que estão acostumados.

Bancos como Goldman Sachs e JPMorgan Chase usam Londres como base para fazer negócios com clientes da União Europeia. E, neste momento, estão divididos entre o impulso de manter uma grande presença no centro financeiro e a frustração com a abordagem independente do Reino Unido enquanto o país se prepara para deixar o bloco na sexta-feira.

Grandes bancos dos EUA têm se reunido regularmente com autoridades do Tesouro do Reino Unido para enfatizar a importância de obter a chamada equivalência da UE, o que lhes permitiria manter grade parte de sua estrutura atual, de acordo com meia dúzia de banqueiros que falaram sob condição de anonimato. Mas o governo do Reino Unido se mostrou determinado em seguir seu próprio caminho.

Em um jantar oferecido pela BlackRock no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro das Finanças do Reino Unido, Sajid Javid, disse que estava preparado para divergir das regras de serviços financeiros da UE, de acordo com pessoas presentes que não quiseram ser identificadas. Os banqueiros do evento incluíram o presidente do HSBC Holdings, Mark Tucker, e Douglas Flint, presidente do Standard Life Aberdeen. As empresas e a Blackrock não quiseram comentar sobre o jantar.

Empresas norte-americanas há décadas operam na Europa via Londres, que também é o centro mundial do mercado de câmbio, que movimenta US$ 6,6 trilhões por dia, e dos trilhões de dólares do mercado de swaps, entre outros. Instituições dos EUA aumentaram a participação da receita total de banco de investimento da Europa, Oriente Médio e África para 53% no terceiro trimestre de 2019 comparada a 44% há seis anos, enquanto a participação de seus pares europeus caiu para 47%, de acordo com dados da Coalition Development.

O Reino Unido tem sido um anfitrião do capital global. De acordo com dados da Autoridade de Regulação Prudencial de 2015, bancos estrangeiros administravam quase metade de todos os ativos bancários no Reino Unido.

Conversas

Um executivo de alto escalão de um banco, que falou sob anonimato, disse que Londres está rapidamente se tornando um dos piores lugares para fazer negócios devido ao regime regulatório. Alguns governos continentais estão seduzindo empresas dos EUA que atualmente negociam em Londres com incentivos fiscais e licenças rápidas para corretoras, disse.

Bancos dos EUA pressionam autoridades britânicas para uma relação muito mais estreita com a Europa, disseram duas pessoas a par das discussões. Alguns banqueiros não notam o progresso que esperavam. O presidente de um banco dos EUA, que falou sob condição de anonimato, disse que sua empresa poderia transferir centenas de empregos para a UE e para outros lugares, onde os governos são mais receptivos. Bancos dos EUA também dizem às autoridades do Reino Unido que transferirão mais ativos para o bloco de 27 países se a postura linha-dura continuar, disse uma das pessoas com conhecimento das discussões.

"A equivalência continua sendo um mecanismo muito importante pelo qual os clientes da UE poderiam acessar os mercados de capitais de Londres", disse James Bardrick, CEO da divisão do Citigroup no Reino Unido. "Apoiamos há muito tempo o nível mais alto possível de acesso ao mercado, sustentado por uma forte cooperação regulatória e de supervisão, que visa minimizar as diferenças nas regras entre jurisdições."

--Com a colaboração de Sridhar Natarajan.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Viren Vaghela London, vvaghela1@bloomberg.net;Silla Brush London, sbrush@bloomberg.net;Harry Wilson em Londres, hwilson57@bloomberg.net