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Baterias gigantes contra aquecimento global também trazem riscos

David R. Baker e Mark Chediak

29/01/2020 14h50

(Bloomberg) -- A explosão abalou o crepúsculo no deserto em Surprise, Arizona. Um galpão de metal cheio de baterias de íons de lítio soltou fumaça durante horas em uma pequena subestação elétrica. As baterias estavam conectadas à rede elétrica e, de alguma forma, pegaram fogo.

Os bombeiros que buscavam a fonte da fumaça abriram a porta da instalação e, minutos depois, os gases que vazavam das baterias danificadas causaram a explosão. Duas das quatro pessoas feridas tiveram que ser transportadas de avião para um hospital.

É provável que poucas pessoas que moram perto da subestação, nos arredores de Phoenix, soubessem que a instalação continha o tipo de baterias gigantes consideradas essenciais para liberar energia renovável em redes elétricas e ajudar a resolver a crise da mudança climática.

A queda dos preços e mais iniciativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa levaram a uma expansão do segmento de baterias. Empresas de energia conectam mais baterias à rede como forma de armazenar energia renovável e substituir usinas de combustíveis fósseis. Megaprojetos estão se tornando norma. No ano passado, reguladores aprovaram uma instalação de baterias na cidade de Nova York que será grande o suficiente para abastecer 250 mil residências por oito horas. Incorporadoras nos arredores de Las Vegas planejam um sistema igualmente grande para armazenar energia de uma usina solar de 690 megawatts.

Mas a explosão de abril de 2019 no Arizona ilustrou um problema persistente há muito tempo em baterias de íons de lítio: incêndios que podem ser difíceis de apagar. A Coreia do Sul, líder global na fabricação e uso de baterias, registrou pelo menos 23 incêndios em um período de aproximadamente dois anos, de acordo com a BloombergNEF, o que assustou clientes e levou a uma investigação do governo.

Em pouco mais de uma década, as baterias recarregáveis, inventadas na década de 1970, se tornaram uma tecnologia essencial do século XXI. Raramente estão longe, sendo usadas em escovas de dentes, smartphones, brinquedos, fones de ouvido, laptops e Teslas. A produção global deverá triplicar nos próximos três anos, segundo a BloombergNEF.

Com a rápida expansão, os incêndios de baterias também devem aumentar. Os incidentes continuam raros em comparação com o volume de baterias, mas especialistas esperam um aumento com o crescente uso da tecnologia.

"Se a porcentagem de falhas persistir, isso pode significar muitos problemas", disse Mike Simpson, líder técnico sênior do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica. "Mesmo a probabilidade de um em 10 milhões de falha na linha de montagem pode levar a muitos problemas na estrada."

Alguns incêndios podem ser atribuídos a defeitos de fabricação nas próprias células da bateria ou danos físicos após a instalação. Sobrecarregar a bateria também pode ser um problema, disse Simpson, assim como a integração irregular com outros sistemas elétricos.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: David R. Baker San Francisco, dbaker116@bloomberg.net;Mark Chediak em San Francisco, mchediak@bloomberg.net