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Chorosos, empresários pró-UE brindam com Borgonha e miram futuro

Joe Mayes

31/01/2020 10h17

(Bloomberg) -- A maioria dos principais executivos do Reino Unido passou os últimos três anos e meio lamentando a decisão do país de deixar a União Europeia. Quando a separação finalmente acontecer na noite de sexta-feira, muitos farão um último brinde ao bloco - e depois continuarão tocando os negócios.

"Vou desfrutar de uma ou duas taças de Côtes du Rhône, Borgonha ou Riesling", disse Greg McDonald, proprietário da Goodfish, fabricante de peças de plástico com sede em Cannock, Inglaterra. McDonald, que votou contra a saída, agora está focado em estabelecer presença na zona euro, inclusive com uma nova fábrica na Eslováquia.

A marcha lenta rumo à separação do Reino Unido de seu maior parceiro comercial tem sido uma dor de cabeça para empresas desde o referendo do Brexit, em junho de 2016, paralisando investimentos, sugando recursos e afetando a economia. Agora que definitivamente está acontecendo, líderes empresariais dependem que o governo majoritário do primeiro-ministro Boris Johnson cumpra as promessas de um acordo comercial com a UE até o fim de 2020 e amplie os laços com Estados Unidos, China e outras jurisdições importantes. Os empresários estão divididos sobre o que vem pela frente.

Martin Sorrell, ex-presidente da gigante da publicidade WPP e agora presidente do conselho da S4 Capital, disse que passará a noite do Brexit viajando. O executivo tem como meta expandir seu novo empreendimento na Ásia-Pacífico e no Oriente Médio. "Me sinto energizado com a perspectiva de que o novo governo crie uma 'Cingapura com esteroides', com uma economia ágil, com baixa taxa de regulamentação e agilidade", disse Sorrell em e-mail. "Apesar de ainda ser um 'Remainer', o eleitorado falou claramente", disse Sorrell, em referência ao termo em inglês para os que defenderam a permanência na UE.

Destino incerto

William Eccleshare, CEO mundial da Clear Channel Outdoor Holdings, é mais pessimista em relação ao futuro e falou sobre o receio entre algumas elites empresariais britânicas de que o governo não fez o suficiente para se preparar para a revolução que está por vir. "O dia 31 de janeiro apenas marca o início de uma jornada profundamente equivocada, cujo destino ainda está longe de ser claro", disse Eccleshare, cuja empresa é uma das maiores líderes globais em vendas de anúncios para outdoors, com escritórios e funcionários no Reino Unido e no mundo. "Ignorarei assiduamente a noite do Brexit."

Embora a sexta-feira seja um passo importante no processo do Brexit, muita coisa ainda preocupa empresas expostas ao comércio com a UE. Muitos são céticos de que o Reino Unido e o bloco de 27 membros consigam fechar um acordo comercial a tempo, e as empresas se preparam para novas barreiras alfandegárias e custos extras. Para o Reino Unido, é importante manter uma estreita relação com a UE, destino de metade das exportações do país.

"Farei o possível para convencer nossos amigos e colegas europeus de que ainda estamos abertos para negócios", disse David Smith, diretor-gerente da Specac, fabricante de equipamentos de laboratório com sede em Kent, que exporta 90% de seus produtos. "No sábado pela manhã, estarei triste, preocupado e com menos orgulho de ser britânico."

Ed Williams, chefe para Europa, Oriente Médio e África da empresa de relações públicas Edelman, destacou o estreito relacionamento que líderes empresariais britânicos ainda esperam ter com os países da UE, mesmo com o Reino Unido fora do bloco. "Vou levantar uma taça para o próximo capítulo", disse Williams sobre seus planos para a noite do Brexit. "Mas, quase certamente, será um Borgonha branco."

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net