PUBLICIDADE
IPCA
1,35% Dez.2020
Topo

Alertas soam mais alto para investidores que desafiam vírus

Cecile Gutscher e Anchalee Worrachate

06/02/2020 13h53

(Bloomberg) -- Na hora certa, investidores e estrategistas fazem fila para lançar dúvidas sobre um rali frenético que impulsiona ativos de Cingapura a Nova York.

Com o avanço de um índice de ações globais rumo a um nível recorde, alarmes soam sobre a velocidade e escala de um rali alimentado pela esperança de que os estragos econômicos causados pelo coronavírus serão limitados.

Um fluxo constante de lucros acima das expectativas e sinais de aceleração do crescimento estão do lado dos mercados que aproveitam qualquer boa notícia. No entanto, por trás de cada resultado corporativo otimista, há outro com um aviso sóbrio de que o surto do coronavírus afetará o crescimento econômico e a atividade das empresas.

Desmentindo os ganhos das ações e o apetite por crédito, o desempenho do cobre e curvas de juros apontam riscos de crescimento.

"Praticamente todos os clientes com quem conversamos" querem comprar ativos baratos, escreveu em relatório Tobias Levkovich, estrategista-chefe de renda variável para EUA do Citigroup. "E isso não é reconfortante."

O índice Stoxx Europe 600 atingiu pontuação recorde, e as ações dispararam na Ásia. Um indicador do risco de crédito europeu caiu para o menor nível desde 2007.

No entanto, a batalha contra o vírus pode sofrer um revés, já que as fábricas reabrem na China nos próximos dias e mais pessoas vão entrar em contato umas com as outras. Por outro lado, se as fábricas não retomarem as operações, o impacto econômico poderá ser muito mais grave.

Na Robeco, o gestor de recursos Jeroen Blokland vê o rali com cautela. Blokland, chefe de fundos multiativos da empresa de Roterdã, recentemente rebaixou a alocação overweight em ações para neutra devido à propagação do coronavírus. Ele diz que ainda não é hora de voltar a comprar.

"Todo investidor está buscando o piso e quer encontrá-lo um pouco antes do vizinho", disse. "Precisamos de um pouco mais de certeza de que o surto será contido antes de avançarmos novamente."

Riscos para lucros

A Dassault Systemes mostrou que a ameaça é iminente na quinta-feira ao prever lucro abaixo das estimativas e problemas futuros para as indústrias, incluindo montadoras. Dias antes, a BP disse que o surto do coronavírus poderia eliminar 30% do crescimento da demanda global por petróleo este ano. Nike e Adidas disseram que estão fechando lojas na China.

Mesmo que seja adivinhação, bancos de investimento tentam calcular o impacto do surto. O choque pode reduzir o crescimento econômico chinês para 4% em uma base anualizada, disse o Goldman Sachs na quinta-feira. O chefe de pesquisa de commodities da empresa, Jeff Currie, disse em entrevista à Bloomberg TV que a demanda por petróleo pode cair entre 2 milhões e 3 milhões de barris por dia antes de se recuperar em dois a três meses.

--Com a colaboração de Sam Unsted, Joanna Ossinger, Cormac Mullen, Eddie van Der Walt, Alaric Nightingale e Yakob Peterseil.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Cecile Gutscher London, cgutscher@bloomberg.net;Anchalee Worrachate London, aworrachate@bloomberg.net