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Caos do coronavírus paralisa ofertas em mercados de crédito

Hannah Benjamin e Tasos Vossos

26/02/2020 10h29

(Bloomberg) -- A máquina de crédito global está quase parando.

O mercado internacional de títulos de dívida, que movimenta US$ 2,6 trilhões e onde as maiores empresas do mundo levantam recursos para se financiar, foi atingido por uma paralisação virtual à medida que o coronavírus espalha o medo pelas salas de reuniões.

Na Europa, que registrava o início de ano mais forte já visto - com 239 bilhões de euros (US$ 260 bilhões) em títulos vendidos somente em janeiro -, não houve transações na quarta-feira pela primeira vez este ano. Os EUA não registram transações desde sexta-feira, enquanto na Ásia, onde o vírus surgiu, as ofertas diminuíram muito.

Embora essas paralisações sejam comuns em feriados, como no Natal, são extremamente raras em outras épocas do ano.

Investidores estão assustados com o potencial impacto nos resultados corporativos devido aos estragos causados pelo vírus, como a paralisação de cadeias de fornecimento globais.

"É muito sério", disse Shanawaz Bhimji, estrategista de renda fixa do ABN Amro Bank, acrescentando que o momento é "muito difícil" para investimentos nos mercados de crédito.

A Honeywell International, Virgin Money UK e Transport for London estão entre as empresas europeias que preparam ofertas antes que os mercados financeiros piorem.

As taxas de juros em euros para empresas com grau de investimento subiram para 95 pontos-base, o nível mais alto atingido este ano, segundo o índice Bloomberg Barclays. Os contratos de swap de crédito, que servem como proteção para a dívida de empresas com grau de investimento, avançaram para o nível mais alto em quatro meses. Uma medida de risco acompanhada de perto no mercado de títulos junk, ou de alto risco, também subiu para o maior patamar em seis meses na quarta-feira.

O número de casos de coronavírus continua subindo: o número de mortos está perto de 3 mil em todo o mundo. Autoridades de saúde dos EUA alertaram cidadãos a se prepararem para um surto, enquanto a Coreia do Sul também emergiu como zona de risco, com mais de mil casos registrados no país.

A piora da crise já afeta os balanços das empresas. A fabricante de bebidas Diageo vai registrar um impacto de US$ 422 milhões nas vendas líquidas orgânicas, diante do significativo abalo na Grande China desde o final de janeiro. A fabricante de alimentos francesa Danone rebaixou a meta de crescimento da receita para 2020, devido à desaceleração das vendas de água engarrafada na China.

Nos EUA, as ações da Mastercard caíram 7% nesta semana, depois que a empresa cortou a previsão de receita já que o vírus se espalha e restringe as viagens internacionais. A Apple disse que a demanda por iPhones na China caiu 28% em janeiro em relação ao mês anterior.

Somente quatro emissores visitaram o mercado de dívida da Europa até agora esta semana, como o ING Groep, com uma oferta reduzida de títulos adicionais de nível 1 na segunda-feira. Anúncios de novas ofertas também diminuíram, com apenas um mandato da região na terça-feira.

Qualquer sinal de estabilização da epidemia pode ser um incentivo para as vendas, de acordo com Luke Hickmore, diretor de investimentos da Aberdeen Standard Investments, em Edimburgo.

"Vimos anteriormente que qualquer estabilidade nos mercados tende a atrair novas emissões", disse.

--Com a colaboração de Paul Cohen, Priscila Azevedo Rocha e Rebecca Choong Wilkins.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Hannah Benjamin London, hbenjamin1@bloomberg.net;Tasos Vossos London, tvossos@bloomberg.net

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