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Johnson dá quatro meses para UE fechar acordo comercial

Robert Hutton, Alex Morales e Jess Shankleman

27/02/2020 10h16

(Bloomberg) -- O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse à União Europeia que deixará a mesa de negociações em junho se não estiver claro que o governo britânico conseguirá um acordo de livre comércio ao estilo do Canadá.

O mandato de negociação do Reino Unido para a próxima etapa do Brexit, publicado na quinta-feira, em muitas áreas está próximo ao que a UE publicou na terça-feira. As principais diferenças estão relacionadas ao grau de conformidade do Reino Unido às regulamentações da UE, o chamado campo de jogo nivelado, como o acordo será estruturado e governado e os direitos de pesca nas águas do Reino Unido.

"É uma visão de uma relação baseada na cooperação amistosa entre pares soberanos", afirmou o governo. "Onde ambas as partes respeitam a autonomia legal da outra. O governo não negociará nenhum acordo em que o Reino Unido não tenha controle sobre suas próprias leis e vida política."

O Reino Unido estabeleceu um cronograma difícil para as negociações, já que quer um amplo esboço até junho, para que o acordo possa ser finalizado até setembro. O Reino Unido avaliará em junho se as negociações estão bem encaminhadas para um resultado positivo e, em seguida, decidirá se deve continuar ou se "concentrar apenas" na preparação para deixar a órbita regulatória da UE sem um acordo em 31 de dezembro.

"Queremos o melhor relacionamento comercial possível com a UE, mas, na busca do acordo, não abriremos mão de nossa soberania", disse o ministro de gabinete Michael Gove à Câmara dos Comuns na quinta-feira.

Objetivos

Os documentos do Reino Unido e da UE mostram onde estarão os argumentos após o início das negociações na segunda-feira. A UE argumenta que o tamanho e a proximidade do Reino Unido significam que simplesmente replicar o acordo com o Canadá não é razoável. Já o Reino Unido afirma que tamanho e proximidade não são necessariamente um fator nas negociações comerciais.

"Geografia não é motivo para minar a democracia", disse o Gove ao Parlamento. "Para que fique claro, não procuraremos nos alinhar dinamicamente com as leis da UE, nos termos da UE regidos pelas leis da UE e pelas instituições da UE."

Embora a UE veja junho como uma oportunidade de fazer um balanço das negociações, disse que tentará fechar um acordo até o último momento possível.

--Com a colaboração de Edward Evans (News) e Ian Wishart.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Robert Hutton em Manchester, England, rhutton1@bloomberg.net;Alex Morales em Londres, amorales2@bloomberg.net;Jess Shankleman London, jshankleman@bloomberg.net