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Sucesso de bloqueio na China é exemplo em luta contra vírus

Naomi Kresge e Samuel Dodge

25/03/2020 13h57

(Bloomberg) -- Com mais bloqueios nos Estados Unidos, Reino Unido e outros países, as primeiras lições de quão eficazes serão contra o novo coronavírus vêm do exterior.

Enquanto a China toma medidas para suspender a quarentena em Wuhan, epicentro original do vírus, depois de conter o surto, a Índia e grande parte da Europa anunciam bloqueios. As comparações são complicadas por causa de diferenças de gravidade do surto, regimes de testes e sistemas de saúde de cada país.

Países como Coreia do Sul combateram a pandemia com sucesso sem quarentenas em larga escala, se apoiando mais em ferramentas como testes e rastreamento de contatos. Mesmo assim, os números alimentam o otimismo de que uma restrição global à vida pública pode atrasar a propagação do vírus. A questão é quanto tempo as medidas devem durar para garantir que o surto não retorne.

Marc Lipsitch, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, comparou o distanciamento social com o freio de um carro que desce ladeira abaixo.

"Se você tirar o pé do freio, que é deixar de fazer intervenções, a gravidade começará a acelerar o carro novamente", disse. "Enquanto houver casos, vai acelerar e resultar em mais casos."

Alguns exemplos de medidas de combate ao surto:

China

Não houve nenhum novo caso de transmissão do vírus no país cerca de oito semanas após a quarentena generalizada imposta pelo governo na província de Hubei, com cerca de 60 milhões de pessoas. Agora, com a previsão de fim do bloqueio em Wuhan em 8 de abril, outros países estarão atentos para ver se ocorrerão novos contágios.

Coreia do Sul

Na Coreia do Sul, um grande número de testes e uma caça em todo o país para rastrear contatos de pacientes do Covid-19 conseguiram diminuir a propagação sem um bloqueio geral. Autoridades de saúde rastrearam e testaram cerca de 212 mil membros de uma seita religiosa depois de confirmar que uma pessoa do grupo havia testado positivo para o vírus em fevereiro.

Itália

Autoridades italianas anunciaram, com cautela, uma queda do número diário de mortes registradas na segunda-feira, com cerca de duas semanas de bloqueio nacional. Uma multidão deixou as áreas mais atingidas no norte industrial do país no início do surto, potencialmente trazendo o vírus junto. Autoridades se apressaram em dizer que só porque as medidas parecem ter relativamente funcionado não significa que devem ser afrouxadas no curto prazo. Essas preocupações foram destacadas com o aumento das mortes provocadas pelo vírus na terça-feira.

EUA

Os EUA adotaram uma abordagem fragmentada para combater o vírus, desde um bloqueio quase total em estados como Ohio, Nova York e Califórnia a vagas recomendações para evitar grandes multidões e trabalhar em casa. Os contágios aceleram, e o país pode se tornar o novo epicentro do surto, disse Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde.

©2020 Bloomberg L.P.