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Organização britânica busca US$ 8 bi para impedir volta do vírus

John Lauerman

07/04/2020 08h44

(Bloomberg) -- A organização britânica Wellcome Trust pede às empresas que doem US$ 8 bilhões neste mês para ajudar a combater a expansão da pandemia que ameaça retornar mesmo que o surto atual seja controlado.

A maior parte do dinheiro seria destinada à distribuição de vacinas, medicamentos e testes para o coronavírus que causa o Covid-19, segundo comunicado. Cerca de US$ 2 bilhões seriam usados para apoiar países vulneráveis e para fazer um estoque de máscaras, medicamentos e outros suprimentos necessários para combater futuros surtos.

As economias enfrentam uma grande crise com confinamentos nacionais que atingem os principais setores. Embora os governos tenham injetado trilhões em planos de ajuda e resgate, suprimentos médicos para combater a pandemia precisam de apoio vital, disse Jeremy Farrar, diretor da Wellcome Trust.

"A única estratégia de saída que vejo é o desenvolvimento de diagnósticos, terapias e vacinas", disse Farrar, que também é pesquisador de doenças infecciosas. "Essa é a única maneira de voltarmos ao normal."

As bolsas ganharam impulso com os sinais de que o pior já passou para países como Itália, Espanha e Reino Unido, onde a taxa de mortes diárias caiu no fim de semana passado. No entanto, qualquer avanço contra a doença pode ser eliminado se as medidas restritivas - que impedem a transmissão, mas afetam as economias - forem flexibilizadas sem as ferramentas para impedir que o vírus retorne, disse Farrar.

Enquanto isso, cientistas que trabalham para entender, prevenir e tratar a doença estão ficando sem recursos, disse. A iniciativa de financiamento foi chamada Covid-Zero, definida pelo objetivo de zerar mortes, casos ou confinamentos.

SARS

O surto de 2003 da Síndrome Respiratória Aguda Grave, ou SARS, terminou após oito meses porque as pessoas infectadas foram rastreadas e colocadas em quarentena, disse Farrar. Isso é muito mais difícil com o novo coronavírus, que se espalha furtivamente na comunidade, às vezes por meio de pessoas que não mostram sinais de infecção. Mesmo quando a transmissão é interrompida, o vírus pode retornar sem testes diligentes e outras medidas de saúde.

O mundo "não pode assumir que a pandemia ocorrerá em três meses terríveis", disse. "Devido à natureza desse vírus, é inevitável que existam ondas subsequentes."

A organização busca US$ 3 bilhões para financiar a Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), na sigla em inglês), Gavi e grupos que trabalham para desenvolver e distribuir vacinas. O CEPI, que já ajudou em pesquisas para uma vacina desenvolvida pela Moderna e Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para testes em seres humanos, disse no mês passado que precisa de US$ 2 bilhões para continuar os trabalhos.

São necessários cerca de US$ 2,25 bilhões para desenvolver e produzir tratamentos para o coronavírus, afirmou o grupo. Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha divulgado os efeitos do medicamento cloroquina, usado contra a malária, ensaios organizados por vários grupos, incluindo a Organização Mundial de Saúde, ainda são necessários para determinar quais fármacos funcionam.

Farrar disse estar esperançoso em relação aos testes de anticorpos de pessoas que se recuperaram do Covid-19. Esses testes provavelmente começarão nas próximas semanas.

A Wellcome Trust quer levantar US$ 750 milhões para novos diagnósticos e a mesma quantia para abrir lojas de suprimentos para tratar futuras ondas e pandemias. Outros US$ 1,25 bilhão são necessários para reforçar os sistemas de saúde de países pobres.

"A necessidade de levantar esse dinheiro é fundamental agora", disse Farrar. "O desenvolvimento de medicamentos e vacinas não pode acontecer da noite para o dia, e precisamos deles para esta onda e para evitar futuras ondas."

©2020 Bloomberg L.P.

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