PUBLICIDADE
IPCA
+0,83 Mai.2021
Topo

Investidores voltam a comprar títulos de mercados emergentes

Netty Idayu Ismail, Simon Flint e Sydney Maki

20/04/2020 12h26

(Bloomberg) -- A ausência de más notícias pode ser suficiente para sustentar a valorização dos ativos de mercados emergentes, mesmo com tantas economias em desenvolvimento em isolamento social por conta da pandemia. Títulos de alto rendimento provavelmente estarão entre os favoritos dos investidores.

Ganhos nos próximos dias estenderiam os avanços das últimas duas semanas, impulsionados pelo otimismo na sexta-feira em relação a um tratamento contra o coronavírus e a perspectiva de reabertura escalonada da economia dos EUA. O mercado de opções também aposta que o pior momento da desvalorização pode ter ficado para trás. Após atingir o maior nível em nove anos há um mês, o índice JPMorgan Chase de volatilidade implícita nas moedas de países emergentes recuou com o dilúvio de estímulos anunciados por bancos centrais.

"A história sugere que os investidores de mercados emergentes provavelmente terão um dos melhores períodos de seis a 12 meses em uma década a partir daqui, mas será uma jornada muito instável e psicologicamente desconfortável", disse Morgan Harting, gestor de recursos da AllianceBernstein em Nova York. "Vemos uma série de emissões que oferecem retorno semelhante ao das ações e rendimentos extremamente altos a preços que consideramos bem abaixo dos valores de recuperação em caso de inadimplência."

Harting faz parte de um grupo crescente de investidores mais otimistas em relação aos mercados emergentes. A Aviva Investors Global Services avisou que é hora de adotar uma postura seletiva para os títulos de nações em desenvolvimento e tem preferido ativos de países onde as autoridades têm espaço para implementar estímulos, além de níveis de endividamento administráveis e reservas internacionais maiores. A AllianceBernstein, que gerencia US$ 542 bilhões, prefere títulos de maior rendimento de economias em desenvolvimento.

Apesar do otimismo, a perspectiva cambial não é garantida. Enquanto o índice MSCI de ações subiu 1,5% e os títulos avançaram 1,3% na semana passada, as moedas se depreciaram à medida que o dólar encontrou novo suporte. Um estudo da Bloomberg sobre os eventos que se seguiram à crise financeira global de 2008 concluiu que os investidores provavelmente se concentrarão em valor, o que significa que o real e o peso mexicano devem liderar a próxima etapa da recuperação.

O rublo lidera a categoria este mês apesar da queda do petróleo. Investidores voltam a aplicar em títulos públicos da Rússia em meio a expectativas de que o banco central retomará a flexibilização monetária na sexta-feira. No entanto, a moeda permanece vulnerável e caiu na segunda-feira, acompanhando a derrapada do petróleo.

A lira turca está entre as moedas de maior perda desde o final de março. Investidores de opções mostram o maior nível de pessimismo com a lira desde setembro de 2018, especulando que outro corte na taxa básica na quarta-feira levará os juros reais na Turquia para território ainda mais negativo.

©2020 Bloomberg L.P.