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Adidas aposta em demanda por artigos esportivos pós-confinamento

Thomas Mulier e Richard Weiss

27/04/2020 11h26

(Bloomberg) -- O diretor-presidente da Adidas, Kasper Rorsted, tenta ser otimista ao prever o primeiro prejuízo trimestral em quatro anos da fabricante de calçados alemã: em sua opinião, consumidores confinados podem precisar de mais artigos esportivos quando os países suspenderem as quarentenas.

Quase dois terços das lojas da Adidas estão fechadas devido à pandemia de Covid-19, o que levou a empresa a projetar perdas no trimestre que termina em junho. As vendas devem cair cerca de 40%, ajustadas pela variação do câmbio. A ação da empresa acumula baixa de quase 30% neste ano, mas mostravam recuperação na segunda-feira com o otimismo sobre a futura demanda por artigos esportivos.

"As pessoas que estão trancadas em apartamentos ou casas por quatro, seis, oito ou dez semanas, como tem sido o caso em muitos lugares do mundo, realmente querem sair e se mover, exercitar-se, andar ou correr", disse Rorsted em entrevista à Bloomberg Television.

Empresas de bens de consumo apostam em produtos com demanda mais resiliente para ajudar a compensar as pilhas crescentes de estoque não vendido. Na semana passada, a Nestlé divulgou forte demanda por refeições de conveniência, mesmo com a desaceleração das compras impulsivas de sorvete e água engarrafada.

O estoque da Adidas aumentou 32% no primeiro trimestre, quando a empresa recebeu produtos não vendidos de lojas na China e varejistas cancelaram os pedidos. O lucro despencou 97% no período.

China e Coreia do Sul, onde as lojas foram reabertas, bem como compras on-line têm ajudado a amenizar a queda da demanda. As vendas melhoraram gradualmente na grande China nas três primeiras semanas do trimestre, e o crescimento global on-line acelera em relação à alta de 55% em março. Rorsted disse que a Adidas pode superar a meta deste ano de 4 bilhões de euros (US$ 4,3 bilhões) para a receita de comércio eletrônico.

Ainda assim, as vendas on-line não conseguem compensar o fechamento de lojas na Europa, Américas do Norte e do Sul, Rússia e outras partes da Ásia, o que já encolheu a receita em 1 bilhão de euros no acumulado deste mês.

A Adidas pretende pagar seu empréstimo com garantia do governo o mais rápido possível, disse Rorsted, que não quis comentar se há conversas com bancos. A Adidas queimou 1,4 bilhão de euros em caixa no primeiro trimestre e espera gastar mais neste trimestre. Ainda assim, a empresa está bem preparada para enfrentar a crise neste ano, afirmou Rorsted. A Adidas disse que tentará evitar demissões, embora a medida não esteja descartada.

©2020 Bloomberg L.P.