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Demanda recorde deve incentivar mais emissões de dívida na AL

Aline Oyamada

27/04/2020 13h30

(Bloomberg) -- Países da América Latina têm atraído demanda recorde por ofertas de títulos em dólar, o que deve incentivar outras nações a explorar o mercado de dívida externa em meio à necessidade de financiar gastos relacionados ao coronavirus.

O México registrou demanda recorde por sua emissão de títulos na semana passada, apesar de ter sofrido três rebaixamentos de ratings recentemente. O Peru também recebeu interesse recorde pela dívida emitida uma semana antes e a demanda por títulos da Guatemala foi quase sete vezes maior do que a oferta.

Cada país teve seu chamariz. No caso do México, investidores foram atraídos por rendimentos generosos, já que o risco de crédito do país oscila perto do nível mais alto em mais de uma década. O yield pago pelo Peru, por outro lado, atingiu uma mínima histórica: investidores elogiaram o ousado plano fiscal do governo para combater o impacto do vírus.

"Os fundos ainda dispõem de uma quantia razoável de caixa e gostam de gastá-lo em nomes com grau de investimento, onde não há risco de default ", disse Delphine Arrighi, gestora da Merian Global Investors UK, em Londres. "E os valuations provavelmente ainda estão relativamente baratos para alguns deles."

A maioria dos emissores possui bons fundamentos e desempenho, disse William Snead, analista do BBVA em Nova York, acrescentando que espera que outros países sigam pelo mesmo caminho. Na sexta-feira, a Jamaica registrou uma oferta de US$ 1 bilhão em dívida.

"Os países latino-americanos continuam buscando maneiras de financiar os diferentes programas implementados para combater o Covid-19 e o impacto negativo em suas economias", disse Snead.

O Chile está entre os candidatos, pois possui um grande programa fiscal para financiar, afirmou Snead. Outros emissores em potencial incluem El Salvador, que obteve recentemente a aprovação do Congresso para emitir dívida.

México

A demanda pela emissão de títulos de US$ 6 bilhões do México na quarta-feira foi 4,75 vezes maior que a oferta, um recorde histórico, de acordo com o Ministério da Fazenda. A procura foi especialmente alta pelos títulos de prazo mais longo. Embora o país tenha conseguido reduzir os custos em relação ao plano inicial, o yield ainda ficou muito acima da emissão anterior realizada em janeiro.

Guatemala

Os lances pela emissão de US$ 1,2 bilhão da Guatemala em 21 de abril atingiram US$ 8,1 bilhões. O país levantou recursos para gastos sociais e políticas de combate ao coronavírus, além de financiar o orçamento de 2020. O país, com rating BB, pagou cupom de 5,375% pelos títulos de 12 anos, comparado com yield de 5,1% de títulos existentes com vencimento em 2030. O país também emitiu títulos de 30 anos com retorno de 6,125%.

Paraguai

O Paraguai foi o mais recente país da América Latina a acessar os mercados ao captar US$ 1 bilhão com títulos em dólar de 11 anos na quinta-feira. Embora detalhes sobre a demanda não tenham sido divulgados, os lances foram suficientes para que o país pagasse um yield menor do que o planejado inicialmente: 4,95% contra a estimativa inicial de 5,5%. O país também usará os recursos para financiar medidas de emergência para combater a pandemia.

"Guatemala e Paraguai têm índices de dívida/PIB de cerca de 25%, que estão entre os mais baixos da região", disse Snead.

©2020 Bloomberg L.P.

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