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Professor da Columbia elogia oferta para dívida da Argentina

Patrick Gillespie

29/04/2020 12h10

(Bloomberg) -- A oferta da Argentina a credores estrangeiros é "inteligente, equilibrada e realista", segundo um professor da Universidade Columbia que conversou com o presidente Alberto Fernández sobre a proposta.

O economista Jeffrey Sachs disse que discutiu as linhas gerais do plano com o governo nos últimos meses, embora não tenha elaborado a proposta. A oferta para reestruturar US$ 65 bilhões em dívidas exclui pagamentos de juros por três anos e pagamentos do principal até 2026, e já foi rejeitada pelos credores.

A oferta "poderia até evitar um 'haircurt' nos valores de face ao refinanciar a maioria ou a totalidade da dívida argentina a taxas de juros baixas com os valores de face intactos", escreveu Sachs ao comentar sobre a possibilidade de desconto. "Esses juros baixos ainda seriam mais altos que as taxas de longo prazo dos EUA ou da Alemanha."

Sachs confirmou que falou com Fernández na semana passada por videoconferência, pouco depois de a Argentina apresentar a oferta em 17 de abril. Eles conversaram sobre a pandemia de coronavírus, a economia global e a dívida da Argentina, acrescentou.

Um porta-voz de Fernández também confirmou a ligação e disse que o ministro da Economia, Martín Guzmán, também participou. Guzmán diz que a Argentina não pode pagar mais do que está oferecendo.

Alguns grandes grupos de credores também rejeitaram o convite virtual de Guzmán para uma videoconferência nesta semana, de acordo com pessoas a par do assunto. Os credores de títulos citam os comentários de Guzmán de que a oferta não é negociável, entre outras preocupações.

Antes de compor o novo governo de Fernández em dezembro passado, Guzmán trabalhou na Universidade Columbia e se aproximou de economistas como Sachs e o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz. Sachs assessorou vários governos em políticas econômicas e reestruturações de dívida, inclusive na América Latina.

Sachs diz que dezenas de países em desenvolvimento precisarão de algum grau de alívio da dívida de credores privados neste ano.

"Alguns precisarão de uma rolagem do principal, outros de um refinanciamento a juros mais baixos com vencimentos longos", escreveu Sachs. "A questão é se isso acontece de maneira ordenada ou aleatória."

A Argentina optou por não pagar juros de alguns de seus títulos com vencimento em 22 de abril e tenta intermediar um acordo com os credores. Se nenhum acordo for alcançado até 22 de maio, o governo se tornaria inadimplente quando o período de carência terminar. A economia argentina deve encolher pelo terceiro ano consecutivo em 2020, com inflação próxima de 50%, segundo projeções.

©2020 Bloomberg L.P.