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Barclays recomenda comprar ações dos EUA e evitar de emergentes

Selcuk Gokoluk

09/06/2020 07h30

(Bloomberg) -- As ações de mercados emergentes podem mostrar recuperação, mas investidores abastados deveriam evitar os muitos riscos que ainda existem em países em desenvolvimento, segundo o Barclays. O banco disse a clientes de alto patrimônio líquido em mercados emergentes para investir em ações dos EUA, apesar do vertiginoso rali do S&P 500.

Países como Índia, Brasil e Rússia se tornaram o epicentro da pandemia de coronavírus, com economias paralisadas e governos com dificuldade para fornecer estímulos adequados. Seus orçamentos restritos empalidecem em comparação com o apoio praticamente "ilimitado" oferecido pelo Federal Reserve e pelo governo dos EUA, disse Salman Haider, do Barclays Private Bank.

"Comparadas com os EUA, as economias de mercados emergentes parecem mais vulneráveis", disse Haider, diretor-gerente e responsável por mercados de crescimento global do banco, com sede em Londres. "Seus bancos centrais têm menos margem de manobra, seus governos podem não ser capazes de fornecer suporte ilimitado e os mercados acionários, devido ao mix de setores, podem ser mais desafiados por uma desaceleração econômica."

A incapacidade de mercados emergentes de sair da crise pode colocá-los em desvantagem de crescimento em relação aos EUA, cujo pacote de apoio fiscal responde por pelo menos 12% do PIB. Essa desvantagem também pode interromper a recuperação inicial de ações de países em desenvolvimento, que tiveram um desempenho inferior em relação às bolsas dos EUA desde o início da guerra comercial em 2018.

Mesmo depois da valorização de 33% desde o fim de março, quando a onda de pânico diminuiu, ações de mercados emergentes ainda acumulam baixa de 10% no ano, enquanto o S&P 500 mostra alta de 45% em relação às mínimas em 2020. Agora, os papéis são negociados com desconto de 36% em relação às ações dos EUA, em comparação com 25% há três meses. Operadores do mercado de futuros cortaram posições compradas líquidas para o nível mais baixo desde janeiro de 2016, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities.

A cautela reflete a perspectiva econômica em deterioração de países em desenvolvimento. Economistas projetam crescimento zero neste ano, e grandes economias como Índia, África do Sul, México, Brasil e Rússia devem entrar em recessão.

Haider investirá cerca de 30% de uma carteira de multiativos em ações dos EUA porque, a médio prazo, oferecem "o perfil mais atraente de risco-recompensa."

Ele é pessimista em relação à dívida de mercados emergentes, também devido a desafios de refinanciamento e déficits insustentáveis, apesar dos rendimentos relativamente altos, e tem apenas "exposição seletiva" a títulos de mercados emergentes nesse estágio. Embora um default ou reestruturação iminente não pareçam prováveis na maioria dos países, os títulos de dívida de Sri Lanka, Honduras, Angola e Turquia estão expostos a uma maior volatilidade, disse Haidar.

©2020 Bloomberg L.P.