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Apollo vê ativos acima de US$ 1 trilhão com impulso da pandemia

Erik Schatzker

12/06/2020 12h31

(Bloomberg) -- A Apollo Global Management espera quadruplicar seus US$ 350 bilhões em ativos sob gestão na próxima década, em parte devido às oportunidades criadas pela crise de Covid-19, segundo o cofundador da empresa, Josh Harris.

A gestora, uma das gigantes de private equity e crédito, também estuda novos negócios, como investimentos em tecnologia que poderiam trazer bilhões, disse Harris em entrevista à Bloomberg.

"Esta é a nossa hora", disse Harris. "Geramos retornos superiores em nosso negócio de private equity. Geramos retornos superiores em nosso negócio de crédito. E, como resultado, o dinheiro tende a vir em nossa direção."

A Apollo reformou seu manual da crise financeira para a era do coronavírus e, assim como há uma década, planeja assumir o controle de empresas problemáticas comprando bilhões de dólares em dívidas com grandes descontos. A Apollo já está levantando pelo menos US$ 20 bilhões para atacar esse nicho. Harris disse que tem outros US$ 30 bilhões para gastar em meio à queda dos preços e forte demanda por capital.

A confiança do executivo sugere que o setor de private equity será tudo menos vítima da recessão causada pela pandemia e poderá emergir mais forte. Foi o que aconteceu após a crise de 2008-09. Bancos recuaram do trading proprietário, aquisições alavancadas e empréstimos para empresas de médio porte, abrindo as portas para empresas como Apollo e Blackstone, que se tornaram os novos titãs de Wall Street.

A Blackstone já havia estabelecido a meta de alcançar US$ 1 trilhão em ativos. Agora, é a vez da Apollo.

"Seria muito bom continuarmos diversificando", afirmou. "Existe uma maneira da Apollo entrar em tecnologia? Estamos explorando isso. Claramente, teria que ser 'low-tech', mas esse é um enorme setor da economia, que está crescendo, e seríamos tolos se não estivéssemos olhando. Nosso negócio imobiliário poderia crescer."

A visão da Apollo sobre a economia está em desacordo com o recente rali do mercado acionário. Harris disse que uma recuperação completa, na qual as empresas recuperariam os níveis de lucro de 2019, ainda deve demorar de três a sete anos.

"Você realmente deve se perguntar: 'Quando o Fed vai se cansar de apoiar o mercado?' Nesse momento, o mercado realmente vai cair, a menos que os fundamentos se recuperem bastante", disse. "Você não quer necessariamente estar vendido no mercado acionário, mas quer estar ciente de que está supervalorizado em termos de fundamentos."

Para Harris, de 55 anos, a maior questão é como a pandemia afeta e transforma a sociedade. Esta crise, disse, é "mais profunda, mais difícil" do que qualquer outra desde que começou sua carreira em finanças na década de 1980.

O desemprego em larga escala, o medo de adoecer e agora a agitação social por causa da injustiça racial "podem redefinir o cenário político" e criar pressão para aumentar os impostos e reduzir a desigualdade, disse.

©2020 Bloomberg L.P.