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UE critica campanha anti-gay do presidente da Polônia

Marek Strzelecki

15/06/2020 13h25

(Bloomberg) -- Uma alta funcionária da União Europeia criticou o presidente da Polônia, Andrzej Duda, por atacar a comunidade gay durante a campanha para as eleições de 28 de junho, dizendo que aqueles que discriminam não devem receber ajuda do bloco.

Andrzej Duda, o candidato do partido nacionalista, está usando uma tática comprovada para conquistar eleitores no país católico. No fim de semana, ele atacou o que chama de "ideologia LGBT", prometeu mantê-la longe das crianças e a comparou à doutrinação comunista soviética.

Selecionar minorias para atacá-las vai contra os valores do clube das 27 nações, disse nesta segunda-feira a vice-presidente da comissão executiva do bloco, Vera Jourova, a um comitê do Parlamento Europeu.

"Isso é escandaloso - não acredito que isso esteja acontecendo na UE", disse Jourova. "Não podemos financiar projetos para locais que violam a igualdade, um valor básico na legislação da UE e na Constituição polonesa."

O governo da Polônia, liderado pelo Partido da Lei e da Justiça, entrou em conflito com a UE várias vezes, em questões que vão desde a rejeição de cotas da UE para habitação de refugiados até uma ampla reforma judiciária. O país de 38 milhões de habitantes também é, de longe, o maior destinatário líquido da ajuda da UE para o desenvolvimento.

'Europa moderna'

O Partido da Lei e da Justiça aumentou o sentimento anti-gay e anti-imigrante antes das eleições anteriores. Na corrida eleitoral para o Parlamento no ano passado, o líder do partido Jaroslaw Kaczynski disse que o avanço dos direitos dos gays representava um "grave perigo" para a Polônia e a UE.

O primeiro ministro de Kaczynski, Mateusz Morawiecki, diz repetidamente que seu objetivo é "re-cristianizar a Europa", enquanto o partido no poder tem tentado proibir o aborto e criminalizar o ensino aos adolescentes sobre os benefícios do uso de preservativos ou que eles saibam que é OK ser gay. A comissão pediu à Polônia no mês passado uma explicação depois que cerca de 80 cidades se declararam "zonas livres de LGBT".

Jourova disse ser "realmente triste" que, na Europa moderna, autoridades que ocupam altos cargos decidam atacar minorias para obterem possíveis ganhos políticos. "Os políticos devem assumir a responsabilidade por suas palavras. As palavras são importantes e podem ter consequências na vida real."

Duda disse que "foi atacado em casa e no exterior" por seus comentários no fim de semana, e acrescentou: "Eu realmente acredito em diversidade e igualdade." Nesta segunda-feira, ele voltou ao assunto, ao dizer que sua bússola moral se baseia nos ensinamentos do Papa João Paulo II, de origem polonesa e um oponente do casamento gay.

Duda atacou verbalmente os gays depois que as pesquisas de opinião mostraram queda nas intenções de voto em seu nome. Isso aconteceu após escândalos do governo relacionados à compra de equipamentos usados para combater a epidemia de coronavírus na Polônia e depois que membros do partido da Lei e da Justiça pareceram desrespeitar suas próprias restrições no lockdown.

Enquanto permanece a expectativa de que o presidente ganhe o primeiro turno das eleições, pesquisas de opinião mostram que ele estaria praticamente empatado com o prefeito de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, num segundo turno previsto para acontecer duas semanas depois.

©2020 Bloomberg L.P.

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