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Teste em portos chineses ameaça dificultar exportações de carne

Michael Hirtzer

18/06/2020 11h11

(Bloomberg) -- A decisão da China de testar carne importada para o novo coronavírus ameaça dificultar o comércio com o maior consumidor de carne suína do mundo, prejudicando criadores que se beneficiavam das crescentes exportações de carne de porco e bovina.

Autoridades portuárias do país asiático têm realizado testes de ácido nucleico em remessas de carne importada, mesmo depois que especialistas destacaram que os alimentos apresentam pouco risco de espalhar o vírus. Inspetores testam containers com carne que chegam no porto de Tianjin, disse Darin Friedrichs, analista da INTL FCStone, em Xangai.

O departamento aduaneiro da China disse que havia testado 32.174 amostras de frutos do mar, carne, legumes e frutas importados, além de embalagens e câmaras frigoríficas, todos com resultados negativos para o coronavírus. Os testes foram realizados entre 11 e 17 de junho, e a alfândega não indicou se continuaria ou cessaria os testes.

A medida segue a identificação de um surto associado a uma tábua usada por um vendedor de salmão importado. Embora a Comissão Nacional de Saúde tenha dito que, por enquanto, não há evidências indicando que o salmão seja a origem ou o hospedeiro intermediário do vírus, o peixe foi retirado das prateleiras de supermercados e plataformas de produtos alimentícios nas principais cidades chinesas.

"Se o vírus for encontrado em carne importada, será uma bagunça logística, não apenas pelas ações que o governo poderá tomar, mas também pela reação do consumidor", disse Friedrichs em relatório.

A China aumentou as compras de carne suína dos Estados Unidos e do Brasil depois que a peste suína africana, iniciada em 2018, reduziu o plantel chinês de suínos, o maior do mundo. Antes do coronavírus, a demanda por carne na China havia contribuído para a expansão de rebanhos em muitos países exportadores de carne.

No Brasil, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura não foi oficialmente notificada pela China sobre a necessidade de testar cargas, de acordo com comunicado enviado por e-mail. Os adidos agrícolas do ministério monitoram as informações enviadas e estão de sobreaviso, segundo o ministério.

O Chile, maior exportador de salmão depois da Noruega, tenta convencer a China a retomar as compras.

Exportações recordes

As exportações recordes de carne suína dos EUA para a China têm ajudado agricultores que, no início deste ano, foram atingidos por interrupções no abate, depois que milhares de trabalhadores de frigoríficos contraíram coronavírus. Embora os frigoríficos tenham aumentado as taxas de processamento neste mês, ainda há falta de mão de obra devido ao alto absenteísmo.

Em conferência do Ministério do Comércio na quinta-feira, o porta-voz Gao Feng disse que a China vai fortalecer a comunicação e coordenação com países relevantes para garantir a segurança dos alimentos importados. O aumento das importações de produtos agrícolas é parte importante da política de importação proativa do país, disse.

Os testes podem afetar as exportações para a China no momento em que o plantel de suínos do país se recupera mais rápido do que o esperado do surto de peste suína africana. O número de porcas reprodutoras cresceu 3,9% em maio em relação ao mês anterior, o oitavo aumento consecutivo, disse na quarta-feira Yang Zhenhai, chefe do departamento de criação de animais do Ministério da Agricultura.

©2020 Bloomberg L.P.

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