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China pede garantia que soja importada não tenha coronavírus

Isis Almeida, Michael Hirtzer e Tatiana Freitas

23/06/2020 13h24

(Bloomberg) -- A China tem pedido a exportadores de soja que forneçam um documento com a garantia de que suas cargas não estejam contaminadas com coronavírus, em linha com medidas tomadas no mercado de carnes, segundo pessoas a par do assunto.

O documento foi solicitado a exportadores de soja nos EUA e Brasil, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. A medida, que chega poucos dias após a solicitação que assustou os mercados de carne, ameaça desacelerar o comércio global com o maior importador de soja do mundo.

O pedido da China segue um surto associado a uma tábua de cortar usada por um vendedor de salmão importado. A Comissão Nacional de Saúde disse que não há evidências de que o peixe seja a origem ou o hospedeiro intermediário do vírus. Ainda assim, o salmão foi retirado dos supermercados nas principais cidades chinesas.

No fim de semana, a China proibiu a importação de aves de uma processadora da Tyson Foods, onde centenas de funcionários deram positivo para a Covid-19. Em outros países, como no Reino Unido e Brasil, produtores de carne têm suspendido voluntariamente embarques para a China após a confirmação de casos de coronavírus entre funcionários.

Declaração assinada

Clientes chineses pediram a vendedores que declarassem que "estão dispostos a cumprir as leis, regulamentos e normas chinesas e a 'Covid-19 e segurança alimentar: diretriz para empresas de alimentos' publicada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e pela Organização Mundial da Saúde para garantir que alimentos importados pela China não sejam contaminados pelo vírus Covid-19", de acordo com cópia da declaração vista pela Bloomberg.

O pedido foi dirigido a "uma grande variedade de carnes, frutos do mar e outros alimentos", disse a Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF, na sigla em inglês) em mensagem aos membros vista pela Bloomberg.

A USMEF não respondeu a pedidos de comentário. O departamento da alfândega da China não respondeu a um pedido de comentário por fax.

A China começou a testar carne importada para o vírus na semana passada. Autoridades portuárias do país asiático têm realizado testes de ácido nucleico em cargas importadas.

"No momento, as principais incógnitas incluem se os testes nos portos de produtos dos estabelecimentos que assinam a carta continuarão e como a China poderá sancionar um estabelecimento se o produto ou embalagem der positivo para a Covid-19", segundo a mensagem.

©2020 Bloomberg L.P.

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