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NH Foods mira venda direta online de carne bovina para China

Ken Parks

25/06/2020 08h10

(Bloomberg) -- A NH Foods estuda como vender carne diretamente para consumidores finais na China, já que a pandemia de coronavírus acelera as compras online de alimentos em toda a Ásia.

"É necessário se aproximar desse novo consumidor que está comprando mais via comércio eletrônico", disse Daniel de Mattos, diretor-presidente da unidade Breeders & Packers Uruguay, da NH Foods, em entrevista de seu escritório em Montevidéu.

Produtores de carne bovina enfrentam o desafio de se adaptarem a um mundo pós-pandemia, onde consumidores compram mais online e exigem maior responsabilidade de processadoras e pecuaristas. Consumidores americanos agora dão mais importância ao que De Mattos descreveu como aspectos "éticos" da produção de carne bovina, incluindo o bem-estar animal, rastreabilidade e condições sanitárias, onde o Uruguai é líder na região.

A carne bovina é um grande negócio no Uruguai, onde a carne vermelha está constantemente entre as três principais exportações do país.

Assim como outros países produtores de carne bovina na América do Sul, o Uruguai sentiu o impacto da queda da demanda chinesa devido à Covid-19. A China ainda responde por mais da metade das exportações de carne bovina do Uruguai, embora os embarques tenham caído quase 38% em relação ao ano anterior, para 88.655 toneladas até 20 de junho, na comparação anual, segundo dados compilados pela agência nacional de carne Inac.

O surto da Covid-19 deste mês em Pequim colocou mais pressão sobre preços já em queda, disse De Mattos, segundo o qual clientes chineses estão oferecendo US$ 1 mil a tonelada a menos pela carne bovina uruguaia do que há dois meses.

Junho deve ser um mês negativo para o comércio de carne bovina com a China. Dados da Inac mostram baixa acumulada de 69% dos embarques por enquanto.

"Nas últimas quatro ou cinco semanas, foi impossível vender carne uruguaia a preços aceitáveis na China, enquanto Brasil e Argentina inundaram esse mercado", disse De Mattos.

Frigoríficos uruguaios são desafiados por rivais do Brasil e da Argentina, que se beneficiam de custos operacionais e de gado mais baratos e ganham participação em mercados importantes como a China. O Uruguai precisa abrir mercados do Sudeste Asiático, como Malásia e Vietnã, e negociar tarifas mais baixas com o Japão e a Coreia do Sul para diversificar os negócios de exportação, disse o executivo.

Os EUA são um dos poucos grandes compradores de carne bovina uruguaia que têm aumentado as compras desde maio, pois unidades de abate no país enfrentam surtos de Covid-19 entre trabalhadores.

Produtos premium como "alimentado com capim" e carne bovina com certificação "Never Ever" aumentaram sua participação nas exportações para os EUA durante a pandemia, no que De Mattos vê como mudança duradoura.

As vendas para a União Europeia, o mercado número 3 do Uruguai em volume, só devem subir a partir do quarto trimestre, devido ao alto volume de estoques de carne congelada naquele mercado, disse De Mattos.

"A UE dá sinais de recuperação", disse. "Estamos perto dos preços pré-Covid, mas não dos volumes que estávamos exportando" antes da pandemia.

©2020 Bloomberg L.P.

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