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Ricos brasileiros injetam dinheiro em suas empresas na crise

Felipe Marques e Cristiane Lucchesi

25/06/2020 08h00

(Bloomberg) -- Os ricos donos de empresas no Brasil estão investindo dinheiro para ajudar seus negócios a enfrentar a pandemia do Covid-19.

O bilionário Andre Esteves, o trio por trás da Natura & Co. e magnatas de companhias aéreas, incluindo a família Amaro do Brasil, injetaram dinheiro em suas empresas ou prometeram fazê-lo, de acordo com comunicados. Empresários que tomaram crédito pessoal para investir em seus negócios contribuíram para um aumento de 25 vezes nos empréstimos feitos pela unidade do Andbank no Brasil este ano.

"Nunca aprovei tanto crédito na minha vida", disse Carlos Foz, presidente do banco especializado em gestão de fortunas. "Tivemos muitos clientes usando ativos pessoais como garantia para tomar dinheiro emprestado e investir em seus próprios negócios", aproveitando as baixas taxas de juros, disse Foz.

O objetivo dos empresários é ajudar suas empresas a reduzir a alavancagem, cumprir com obrigações assumidas antes da crise do coronavírus ou simplesmente sobreviver. Cerca de 90% das empresas brasileiras são de propriedade familiar, de acordo com uma pesquisa de 2019 do IBGE.

O Andbank, que possui R$ 8,5 bilhões em ativos sob gestão no Brasil, concedeu R$ 500 milhões em empréstimos até agora neste ano, bem mais do que os R$ 20 milhões no mesmo período de 2019, disse Foz.

Os fundadores da Natura, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, juntamente com o restante dos acionistas controladores, estão injetando um total de R$ 508,1 milhões na empresa como parte de uma venda de ações de cerca de R$ 2 bilhões, segundo comunicados. A empresa de cosméticos, que comprou a Avon Products Inc. por cerca de US$ 2 bilhões em ações no início deste ano, procura reduzir a alavancagem e aumentar seu caixa.

Esteves, fundador do Banco BTG Pactual SA, investiu R$ 138,3 milhões em uma oferta pública inicial de ações em maio da empresa de estacionamento brasileira Estapar, que ele controla. A Estapar precisava do dinheiro para pagar concessão de zona azul da cidade de São Paulo que ganhou antes da crise.

A família Cueto do Chile e a família Amaro do Brasil estão entre os acionistas que se comprometeram a dar um empréstimo de até US$ 900 milhões para a Latam Airlines Group SA, uma companhia aérea sediada em Santiago que entrou com pedido de proteção contra credores nos Estados Unidos, o chamado chapter 11, em maio.

As injeções de dinheiro dos acionistas controladores costumam receber elogios dos analistas de ações.

O "aumento de capital da Natura por meio de uma colocação privada é muito bem-vindo", pois reduz a alavancagem e melhora a liquidez, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, em relatório.

©2020 Bloomberg L.P.