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Eni planeja sair de refinarias tradicionais na próxima década

Laura Hurst

14/07/2020 11h20

(Bloomberg) -- A pandemia de coronavírus vai acelerar a transição da Eni para investimentos em refinarias mais ecológicas em relação às unidades convencionais.

"Em vez de desacelerar, vemos a Covid como uma razão para acelerar a transição rumo à energia de baixo carbono", disse o diretor-presidente da petroleira, Claudio Descalzi, em entrevista à Bloomberg na segunda-feira.

Em fevereiro, a Eni estabeleceu objetivos climáticos mais rigorosos, segundo os quais a gigante italiana de energia prometeu reduzir as emissões líquidas em 80% até 2050. Menos de duas semanas depois, a Itália se tornou o primeiro país europeu a impor uma quarentena para conter a propagação do coronavírus. A medida foi seguida por vários países, o que levou a demanda e preços do petróleo a mínimas históricas.

Embora o consumo de gasolina e diesel na Itália ainda esteja se recuperando, as biorrefinarias da Eni não foram afetadas pela pandemia. As duas unidades - Venice e Gela - foram as únicas no sistema de refino do grupo que não reduziram a produção durante o confinamento na Itália, pois "funcionaram muito bem", disse Descalzi.

Assim como as rivais europeias, a Eni reduziu tanto o plano de investimentos quanto uma recompra de ações de 400 milhões de euros (US$ 455 milhões), mas até agora deixou os dividendos intactos. Investidores e analistas têm questionado como as maiores petroleiras da Europa pagarão pela transição energética que estão prometendo, uma vez que as energias renováveis normalmente oferecem retornos mais baixos do que projetos de petróleo e gás.

Retornos bio

Descalzi continua otimista. As biorrefinarias têm taxa interna de retorno de 15%, o que "não é ruim" em comparação com o segmento de exploração e produção, disse. Originalmente, a empresa planejava financiar novos projetos de fontes renováveis com fluxo de caixa livre com o petróleo entre US$ 50 e US$ 60 por barril. Após o impacto da pandemia nas cotações, a empresa agora busca novas maneiras de financiar projetos. Embora garantir capital para projetos verdes seja diferente, "o acesso a fundos será mais fácil".

A Eni planeja investir 4,9 bilhões de euros entre 2020 e 2023. Com o petróleo em torno de US$ 40 o barril, "não cortaremos gastos com baixo carbono; em vez disso, reduziremos o investimento em petróleo e gás" entre 35% e 40% neste ano, disse Descalzi.

O CEO espera que a Eni supere a meta climática inicial, dizendo que a empresa agora atingirá "o objetivo da Europa de alcançar emissões líquidas zero até 2050, nos escopos 1, 2 e 3". Isso cobriria as emissões de suas próprias operações, bem como o uso de seus produtos por clientes.

Além de converter as refinarias em biorrefinarias, a empresa analisará desinvestimentos como parte do plano de redução de emissões. A Eni espera vender atividades marginais em alguns países, incluindo "talvez os EUA".

©2020 Bloomberg L.P.