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Executivos dos EUA garantem bônus antes de recuperação judicial

Allison McNeely e Madeleine Ngo

14/07/2020 13h50

(Bloomberg) -- Antes dos pedidos de recuperação judicial, vieram os bônus: US$ 10 milhões da J.C. Penney, US$ 25 milhões da Chesapeake Energy, US$ 1,5 milhão da Hertz Global.

Foi a quantia prometida a executivos apenas semanas ou, em alguns casos, dias antes dos pedidos de recuperação judicial, de acordo com análise da Bloomberg de documentos regulatórios. Das 100 grandes empresas que entraram com esses pedidos desde o início das paralisações causadas pelo coronavírus, 19 delas se comprometeram a pagar um total de US$ 131 milhões em bônus de retenção e desempenho, antes e depois dos processos de recuperação judicial, número que está prestes a subir devido ao nível recorde de desemprego nos EUA e avanço da pandemia.

As empresas dizem que precisam manter suas equipes de gestão para ajudar os consultores da reorganização, mesmo que isso signifique recompensar pessoas que estavam no comando quando os negócios começaram a afundar. O momento que alguns dos bônus foram oferecidos, antes dos pedidos de recuperação judicial, impede legalmente a oposição de credores, que não podem bloquear tais pagamentos a menos que sejam feitos depois que um processo chegue ao tribunal.

A prática não é nova, mas o contexto é sem precedentes. A economia está em queda livre e, enquanto milhares de americanos perdem o emprego com o pedido de recuperação judicial da J.C. Penney, os US$ 4,5 milhões destinados à diretora-presidente da varejista, Jill Soltau, mas que assumiu o cargo em 2018 quando a empresa já estava em crise há décadas, é praticamente um acordo sem volta, assim como outras remunerações.

"Realmente consideramos [os bônus] ofensivos à luz da remuneração média dos trabalhadores, das reduções dos benefícios e demissões devido ao fechamento de lojas", afirmou Julie Farb, diretora do Centro de Pesquisa Estratégica da AFL-CIO, uma federação de 55 sindicatos. "Tudo piorou no ambiente atual da Covid."

De acordo com a legislação atual, os credores da empresa e a U.S. Trustee, que administra os pedidos de recuperação judicial para o Departamento de Justiça dos EUA, podem contestar bônus pagos a executivos durante o processo de reorganização, mas não pagamentos feitos antes dos pedidos.

Nas últimas semanas, a U.S. Trustee contestou cerca de uma dúzia de bônus que considerou excessivos, disse Peter Carr, porta-voz da agência, que geralmente não tem conseguido bloquear os pagamentos, disse.

J.C. Penney, Hertz e Chesapeake não comentaram.

©2020 Bloomberg L.P.