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Bancos dos EUA cortam lucro em US$ 35 bi e pode ser só o começo

Hannah Levitt e Shahien Nasiripour

16/07/2020 15h46

(Bloomberg) -- Os seis gigantes do setor bancário dos EUA que acabaram de reduzir os lucros em US$ 35 bilhões para se preparar para um tsunami de empréstimos inadimplentes também fizeram uma confissão: realmente não sabem o quanto a situação vai piorar.

Dados que normalmente sugerem perdas pendentes com empréstimos não têm seguido as leis normais da física no mundo financeiro, em meio a uma série de programas do governo que apoiam temporariamente consumidores e empresas. A porcentagem de empréstimos inadimplentes caiu inesperadamente neste ano, mesmo com milhões de americanos demitidos. Pessoas que haviam fechado acordos para adiar pagamentos em cartões de crédito e hipotecas decidiram enviaram os cheques.

É uma situação sem precedentes, o que obriga líderes dos bancos a se apoiarem em grandes suposições sobre como a pandemia e a resposta do governo vão se evoluir e o que isso significa para a economia. Para ajustar suas reservas, o Citigroup projeta que o desemprego pode melhorar modestamente para cerca de 10% até o fim do ano. Para mostrar que pode enfrentar tempos mais difíceis, o JPMorgan Chase fez projeções com a taxa acima de 20%.

Mas após divulgarem enormes provisões nos resultados do segundo trimestre nesta semana, líderes do setor pediram que investidores não se fixem muito nesses números.

"Estamos em um ambiente completamente imprevisível para o qual não há modelos, nem ciclos para apontar", disse o CEO do Citigroup, Michael Corbat, em conversa com analistas.

"São momentos muito peculiares", disse o diretor-presidente do JPMorgan, Jamie Dimon. "Em uma recessão normal, o desemprego aumenta, a inadimplência aumenta, os encargos aumentam, os preços das casas diminuem. Nada disso é verdade aqui." Em vez disso, "a poupança aumentou, a renda subiu e os preços das casas aumentaram", disse.

©2020 Bloomberg L.P.