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Até traders inflexíveis cedem às vantagens do trabalho remoto

Min Jeong Lee, Takashi Nakamichi e Shoko Oda

27/07/2020 15h57

(Bloomberg) -- As percepções do trabalho remoto estão mudando de forma drástica na era do coronavírus.

Koji Motokawa, como muitos operadores no Japão, país conhecido por sua cultura de trabalho excessivo, nunca havia pensado em trabalhar em casa até a pandemia. Agora, pela primeira vez desde que pisou no pregão há 25 anos, o vice-chefe de renda fixa da Mizuho Securities trabalha pelo menos um dia por semana fora do escritório e planeja manter esse esquema.

"Minha ideia inicial era que seria muito difícil, dada a forma como os mercados operam", disse. "Na realidade, é de fato realizável."

A Covid-19 obriga profissionais financeiros do mundo todo a reexaminarem a maneira como operam, e relatos no Japão - classificado no último lugar pela OCDE entre mercados desenvolvidos para o equilíbrio entre vida profissional e pessoal - sugerem que a mudança para um trabalho mais remoto pode ser generalizada e duradoura. Funcionários em Tóquio da área de corretagem de empresas como Goldman Sachs e CLSA relatam uma mudança semelhante de atitude que esperam dure além da pandemia.

Motokawa diz que a Mizuho aumentou gradualmente sua infraestrutura para a negociação remota de títulos, incluindo a distribuição de telas e computadores extras. Em Tóquio, que registrou mais de 10 mil casos de coronavírus, autoridades instaram residentes a evitarem viagens desnecessárias, mas não impuseram restrições gerais ao trabalho em escritórios.

"Recriamos a maioria de nossas operações", disse Motokawa. "Isso me faz sentir mais descontraído por ter um ou dois dias na semana em que posso trabalhar em casa."

Obviamente, o trabalho remoto não se aplica a todas as funções - e nem sempre tem sido fácil para profissionais em finanças fazerem a transição. Ian Gribbin, chefe de vendas para o Japão na CLSA, também aprendeu a trabalhar em casa. Ele disse que encontrou dificuldades no início, como ter que agendar muitas reuniões curtas a cada semana, em vez das conversas casuais que teria no escritório.

Ponto de inflexão

O momento decisivo para ele ocorreu quando a CLSA organizou sua conferência anual de investidores no Japão online pela primeira vez. Ele perdeu o sono preocupado com as falhas de TI, mas o evento realizado em maio ocorreu sem problemas. A experiência "me colocou em um estado mental diferente", disse Gribbin.

Agora, ele acorda às 3h30 da manhã para ler as notícias antes de trabalhar das 5h às 13h. Depois, faz um lanche e às vezes tira uma soneca de 30 minutos para recarregar durante a tarde. É algo que não poderia imaginar fazer no escritório.

"O que eu não imaginava há dois meses é que poderia ser igualmente eficiente", disse Gribbin, que espera continuar trabalhando em casa dois ou três dias por semana.

©2020 Bloomberg L.P.