PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Outra razão para ganhos da prata: gargalos na América Latina

Carolina Gonzalez

29/07/2020 12h28

(Bloomberg) -- O maior rali mensal da prata desde 1979 é explicado principalmente pela forte demanda. Investidores buscam abrigo contra turbulências causadas pela pandemia e juros negativos, enquanto a demanda industrial pelo metal se recupera em algumas partes do mundo.

Mas há outro motivo para os ganhos da prata: a oferta também deve diminuir.

Minas no Peru e no México, que respondem por quase 40% da oferta mundial, fecharam em larga escala no início deste ano devido ao impacto da pandemia. Grande parte do setor está retomando as operações, mas algumas minas tiveram que fechar novamente em meio ao aumento de casos de Covid-19. O Silver Institute agora prevê déficit no mercado, embora pequeno, pela primeira vez em cinco anos.

A perspectiva de interrupções mais duradouras nas minas dá força ao metal, que se valorizou mais de 30% no último mês e se tornou na commodity com melhor desempenho. Assim como o ouro, a prata é vista como refúgio, mas também possui amplos usos industriais em produtos como painéis solares.

O Silver Institute agora prevê queda de 13% da produção de mineração da América Latina neste ano, com baixa de 7,2% da oferta global, disse o diretor executivo Michael DiRienzo. O cálculo tem como base 67 milhões de onças a menos saindo da região, o que seria prata suficiente para produzir cerca de 100 milhões de painéis solares.

Em meio a uma segunda onda de paralisações estão "algumas das maiores minas produtoras de prata do mundo e isso reduziu drasticamente a produção esperada de prata para este ano", disse Paul Wiggers de Vries, analista sênior do CRU Group, que espera contínua valorização do metal.

O CRU projeta que a oferta de minas de prata mostre queda de cerca de 4% neste ano em comparação com a previsão pré-pandemia de aumento de 4,5%, com operações e projetos peruanos em maior risco.

A produção de prata no Peru deve voltar ao normal nos próximos meses, com recuperação mais lenta do que o cobre, porque grande parte da operação ocorre no subterrâneo, onde o distanciamento social é mais difícil, segundo Victor Gobitz, que dirige o Instituto de Engenheiros de Minas do Peru e a Cia. de Minas Buenaventura SAA.

A exploração e desenvolvimento de projetos podem levar mais tempo para se recuperar, colocando em risco a produção futura, disse Wiggers de Vries.

Embora o preço da prata esteja no maior nível em sete anos e seja incentivo suficiente para acelerar a produção, grande parte do metal é produzido como subproduto nas minas de cobre, ouro, zinco e chumbo. No caso dos dois últimos, os preços permanecem baixos.

"Existem grandes produtores que não são na verdade minas de prata", disse Wiggers de Vries. "Então, isso se torna um dos riscos para o fornecimento de prata daqui para frente."

©2020 Bloomberg L.P.