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Hedge fund Cartica aposta em reformas e recuperação do Brasil

Jaqueline Ting Quesada e Maria Elena Vizcaino

31/07/2020 09h11

(Bloomberg) -- Investidores estrangeiros estão perdendo oportunidades na bolsa brasileira, onde empresas como Magazine Luiza se voltaram ao comércio eletrônico em meio às paralisações causadas pela pandemia de coronavírus, segundo a gestora de hedge fund Teresa Barger.

"Elas provaram que varejistas de tecnologia nascidas no país podem se igualar ao dinheiro e à força da Amazon", disse Barger em referência à Magazine Luiza, cuja ação mais do que triplicou desde a mínima de março.

Barger, que ajuda a administrar US$ 1,2 bilhão como fundadora e CEO da Cartica Management, em Washington, também aposta na China e na Coreia do Sul. Seu fundo investe em pequenas e médias empresas com objetivo de melhorar seus princípios ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês. A empresa não respondeu a perguntas sobre os retornos do fundo.

No Brasil, ela está confiante de que a economia vai se recuperar e de que o governo colocará a agenda de reformas de volta aos trilhos. O Brasil, onde os casos e mortes de Covid-19 atingem recordes, tem sido criticado por reabrir a economia muito rapidamente após anos de crescimento lento.

"Tentamos trabalhar amigavelmente com a gerência das empresas para fazer essas melhorias e destravar mais valor", disse. "No Brasil, você pode ter uma impressionante recepção quando fala sobre essas questões, porque as empresas também veem que há uma razão comercial para ter boas práticas de sustentabilidade."

Barger disse que encontrou "histórias notáveis" no Brasil, onde o Ibovespa subiu 46% desde março. Outra aposta é a Rumo, cujos executivos do alto escalão são avaliados em parte pelo quanto reduzem acidentes e uso de combustível. Ela também gosta da Klabin, produtora de papel e celulose que incentiva a biodiversidade.

O Brasil estava prestes a sair da crise econômica antes de se tornar epicentro do coronavírus. Embora a crise tenha obrigado algumas empresas a fecharem as portas, outras se adaptaram, destacou.

"As dificuldades que elas enfrentaram na recessão realmente as ajudaram a se fortalecer", disse. "Acreditamos que o efeito de limpeza deve fazer com que o setor corporativo brasileiro tenha bom desempenho assim que o PIB voltar a crescer."

Embora a resposta ao vírus deva aumentar o déficit fiscal para um recorde de R$ 787,5 bilhões, parlamentares agora trabalham na reforma tributária que, segundo Barger, vai abordar as deficiências fiscais de longo prazo.

©2020 Bloomberg L.P.