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Equador busca financiamento após 1º acordo de dívida virtual

Ben Bartenstein

05/08/2020 13h43

(Bloomberg) -- O Equador planeja obter financiamento adicional até o fim de agosto para ajudar a cobrir o déficit fiscal depois de fechar um acordo para reestruturar US$ 17,4 bilhões em dívidas, segundo o ministro da Economia, Richard Martínez.

O governo do presidente Lenin Moreno negocia um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, bem como cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos bilaterais com a China. Martínez disse que o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês) também avalia um empréstimo de US$ 50 milhões para apoiar pequenas e médias empresas.

"Agosto é chave", disse Martínez em entrevista de Quito. "No final deste mês, teremos mais clareza sobre como diminuiremos o déficit de financiamento."

Na segunda-feira, o Equador conseguiu apoio esmagador de credores para reestruturar títulos internacionais, reduzindo significativamente as obrigações do país na próxima década. Ainda assim, o estado precisa de US$ 4 bilhões em capital extra até o fim do ano para financiar o crescente déficit fiscal em meio à pandemia de Covid-19. O acordo de US$ 4,2 bilhões do Equador com o FMI entrou em colapso com a piora da crise.

Um porta-voz do FMI não quis comentar, enquanto um representante do AIIB não respondeu a um pedido de comentário.

Martínez disse que sua prioridade é manter um bom relacionamento com credores estrangeiros e, ao mesmo tempo, reduzir o serviço da dívida do país para apoiar a recuperação econômica. A reestruturação foi a primeira no mundo a ser realizada exclusivamente por meio de conversas online. A Argentina fechou seu acordo um dia depois.

"Não sabemos quando o Equador retornará ao mercado de títulos, mas queremos que os investidores saibam que fizemos isso de boa fé", disse. "Talvez o próximo governo volte" a acessar o mercado, afirmou.

Em fevereiro de 2021, o Equador realizará o primeiro turno das eleições presidenciais. Moreno não vai tentar a reeleição.

O Equador adotou o dólar como moeda em 2000, o que significa que depende de empréstimos ou de um superávit em conta corrente para expandir a economia.

Martínez disse que o Equador deve desenvolver setores como o de abacates, maconha medicinal e turismo para diversificar a economia, enquanto trabalha para aumentar a produtividade de atividades tradicionais, como petróleo e mineração, que atraem investimentos estrangeiros diretos.

O ministro da Economia também reiterou seu apoio a Mauricio Claver-Carone, assessor sênior do governo Trump, em sua candidatura para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A proposta da União Europeia de adiar a disputa do BID para depois das eleições para presidente nos EUA seria um erro, segundo Martínez.

"Temos que respeitar o processo", disse. "Há uma pandemia, uma crise econômica e uma crise social na região, e os países precisam dos recursos do BID. Não temos tempo a perder."

©2020 Bloomberg L.P.