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Pequenas empresas fecham as portas em silêncio nos EUA

Madeleine Ngo

11/08/2020 15h21

(Bloomberg) -- Pedidos de recuperação judicial de grandes empresas aumentam em ritmo recorde nos Estados Unidos, mas isso é apenas parte do problema. Segundo alguns relatos, pequenas empresas têm desaparecido aos milhares em meio à pandemia de Covid-19, e o impacto dessas falências na economia pode ser enorme.

Essa onda de falências silenciosas não é registrada em parte porque dados em tempo real sobre pequenas empresas são notoriamente escassos e porque os proprietários geralmente não têm dívidas. Portanto, não precisam de um tribunal de falências.

"Provavelmente, tudo que você precisa fazer é ligar para as concessionárias, pedir para desconectar e fechar as portas", disse William Dunkelberg, que realiza uma pesquisa mensal como economista-chefe na Federação Nacional de Empresas Independentes. No entanto, os fechamentos "ficarão bem acima do normal porque estamos em uma situação econômica desastrosa", disse Dunkelberg.

O site Yelp mostra que mais de 80 mil empresas fecharam permanentemente entre 1º de março e 25 de julho. Cerca de 60 mil eram negócios locais ou empresas com menos de cinco unidades. Mas cerca de 800 pequenas empresas entraram com pedido de recuperação judicial sob o Capítulo 11 entre meados de fevereiro e 31 de julho, de acordo com o American Bankruptcy Institute, e a associação espera que o total em 2020 possa ser 36% superior ao do ano passado.

Embora as empresas sejam pequenas individualmente, o impacto coletivo das falências pode ser significativo. Empresas com menos de 500 funcionários respondem por cerca de 44% da atividade econômica dos EUA, de acordo com relatório da U.S. Small Business Administration, e empregam quase metade de todos os trabalhadores americanos.

Justine Bacon fechou permanentemente seu estúdio Yoga Brain, em Filadélfia, depois de concluir que era muito perigoso dar aulas em locais fechados por causa da pandemia. Bacon não pediu recuperação judicial, simplesmente fechou o estúdio e encerrou as atividades em 30 de junho.

"Senti que era melhor fechar com algum dinheiro na conta e não ter que me preocupar com a falência do negócio", disse Bacon, de 35 anos.

©2020 Bloomberg L.P.