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Boeing 'vigia' fabricação de primeiro avião comercial da China

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Imagem: Divulgação

2015-11-19T23:45:00

2015-11-20T12:32:08

19/11/2015 23h45Atualizada em 20/11/2015 12h32

A fabricante de aviões Boeing está 'inquieta' pelo fato de a China estar fabricando aviões comerciais, disse o vice-presidente de vendas para América Latina, Caribe e África, Van Rex Gallard. 

"Se digo que não nos importa e que não temos medo deles, seria incorreto. Prefiro dizer que estamos vendo o que está acontecendo, mas continuamos inovando e melhorando nossos produtos. Não ficamos parados", afirmou Gallard, durante uma visita da agência de notícias Efe à fábrica de Renton, em Seattle, nos Estados Unidos.

Em 2 de novembro, o gigante asiático apresentou a primeira unidade do C919, seu primeiro avião comercial, recém saído de fábrica. A China quer competir com Boeing e Airbus, e o avião deve ser lançado no mercado entre 2019 e 2020.

"É preciso estar sempre vigilante, embora nós estejamos muito orgulhosos de nossos produtos e das relações sólidas de muitos anos que temos com nossas companhias aéreas ao redor do mundo", disse o executivo da Boeing.

Uma das inovações da companhia norte-americana é o avião modelo 737 MAX, que entrará em serviço no final de 2017, terá um novo motor e consumirá 14% menos combustível, o que lhe permitirá ter uma autonomia de voo de mais de 6.500 quilômetros.

Segundo as previsões da Boeing, o mundo vai precisar de cerca de 38 mil novos aviões até 2034, dos quais 70% serão de um só corredor, ou seja, aeronaves com autonomia de até 6.000 quilômetros usados principalmente em viagens dentro do continente.

A Ásia será o continente que vai precisar de mais aeronaves --cerca de 14.300--, seguida da América do Norte (7.800), Europa (7.300) e Oriente Médio (3.180).

A região latino-americana, que vai ser um dos mercados que mais vai crescer, necessitará de cerca de 3.000 aviões, dos quais o fabricante aeroespacial espera substituir no "mínimo 1.500", afirmou Gallard.

"A América Latina é um mercado muito importante porque significa, principalmente, diversificação", disse o executivo.

A irrupção das classes médias e o aumento do comércio entre países da região explicam a taxa de crescimento de 6% que o tráfego de passageiros experimentará na América Latina nas próximas duas décadas, "uma das taxas mais altas do mundo", acrescentou o vice-presidente da Boeing.

Os desafios da aviação mundial passam por "abrir os céus" e aumentar a conectividade, na opinião de Gallard, e por conseguir que as companhias aéreas possam continuar vivendo de maneira "sustentável".

"Muitas regiões castigam as companhias aéreas com impostos, não as ajudam a crescer, não reconhecem que são muito importantes para o crescimento das regiões", disse.

Etiópia e Panamá, segundo o executivo, são dois "bons exemplos" do que de "bom" pode acontecer na relação entre os governos e as companhias aéreas.

"O Panamá se transformou nos últimos anos em um hub das Américas graças a sua posição geográfica e a sua alta conectividade, e também graças ao crescimento da companhia aérea panamenha Copa", acrescentou Gallard.

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